Saudações sejam dadas a vós, irmãos e irmãs em Cristo Jesus Nosso Senhor! Que a paz de Cristo, o amor de Maria Santíssima, nossa mãe e o exemplo de castidade de José estejam sempre conosco! A luz do Espírito Santo possa irradiar em nossos corações e nós obedeçamos aos maravilhosos mandamentos do Senhor, pois, 'aquele que teme a Deus volta ao seu próprio coração' (Eclo 21,7).
Reverencio o nosso Santo Padre Bento XVI que, com uma sabedoria profunda, continua a exortar os fiéis a obedecer à Igreja, especialmente no que diz respeito ao Concílio Ecumênico Vaticano II que, embora não seja dogmático, deve ser respeitado em sua totalidade. Esse aviso vos dou para que não vos deixeis enganar pelas heresias que, sem sucesso, tentam se impregnar na Igreja através de pessoas que, apesar de querer demonstrar sabedoria, são dotadas de tremenda insensatez.
Assim como canta a música 'A alegria', do Padre Marcelo Rossi, 'ela [a alegria] está no coração de quem já conhece a Jesus...' São Paulo, em sua carta aos Filipenses, nos exorta a manter viva essa alegria na nossa fé em Jesus Cristo. Apesar de ser escrita na prisão, esta epístola mostra que não devemos nos gloriar somente nos momentos agradáveis da vida, mas aprender a 'nos gloriarmos até das tribulações' (Rm 5,3). Paulo ensina-nos a permanecer firmes em Cristo, tanto é que ele repete a palavra 'alegria' nessa carta treze vezes.
Anunciar o Evangelho
"Contanto que de todas as maneiras, por pretexto ou por verdade, Cristo seja anunciado, nisto não só me alegro, mas sempre me alegrarei" (Fp 1,18).
A primeira característica da alegria que São Paulo nos descreve nessa carta aos Filipenses está nesse ponto: anúncio do Evangelho de Cristo. A alegria do apóstolo se baseia nesse fato, de que, não importa como o Cristo seja anunciado, o que verdadeiramente importa é que ele seja proclamado. "Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!" (1Cor 9,16).
E é através do anúncio do Reino de Deus que as pessoas começam a entender o sentido da revelação da Palavra. É como diz a música que cantamos nas comunhões das missas, 'falta pão porque falta trigo, falta trigo porque não semeia, e falta semeadores porque ninguém foi lá fora chamar...' Se não semearmos o Evangelho, como vamos querer colher os frutos da mudança do mundo? Vemos aí a necessidade da pregação da Palavra. É uma atitude que renova as esperanças de muitas pessoas. Precisamos, baseados nessa alegria que Paulo declara, começar a fazer o mesmo que ele fazia: anunciar o Evangelho, não como glória, mas como obrigação de filhos e filhas de Deus, que conhecem a verdade. Se conhecemos, de fato, essa verdade, não podemos 'enterrá-la' como fez o servo preguiçoso quando o patrão lhe confiou seus talentos. É preciso proclamar aos quatro ventos a Palavra de Deus, porque ela leva a salvação e a conversão.
União na Caridade
"Completai a minha alegria, permanecendo unidos" (Fp 2,2).
A plenitude da alegria está no amor. Ele, que é 'o vínculo da perfeição' (Col 3,14), precisa ser, principalmente no mundo em que vivemos, a base de nossa pregação. Infelizmente, muitas seitas, com o intuito de pregar um cristianismo fácil, afirmam que basta somente a fé para que nos salvemos, o que é um engano tremendo. Ora, 'se alguém disser que ama a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso' (1Jo 4,20).
Nesse contexto de amor que vivenciamos nesse trecho da epístola de Paulo, precisamos também retornar ao sentido da palavra união. Não sei se vocês já ouviram falar da história do feixe de varas.
Havia, numa cidade do interior, uma casa onde viviam José e seus dois filhos, Marcos e Mateus. Ora, seus filhos brigavam muito e viviam em contendas. O pai se desesperava todas as vezes que eles começavam a discutir, pois ficava com medo que, com a intensidade da briga, os dois viessem a se matar. Às vezes, você vive isso em sua família hoje. Infelizmente, ocorrem entre os membros do seu lar muitas brigas e você fica, a exemplo desse pai, desesperado e com medo de que, um dia, possa acontecer uma tragédia.
Um dia, o pai ficou muito doente e, com medo de que viesse a falecer e seus filhos iniciassem uma sangrenta disputa pela herança dele, chamou-os, deu-lhes a cada um 1 feixe de varas e desafiou-os a quebrá-lo. Sem sucesso, depois de muito esforço, os dois voltaram e disseram ao pai que não haviam conseguido quebrá-lo. Depois, o pai deu aos dois um feixe e pediu que, juntos, tentassem novamente quebrar as varas. Depois de conseguir, o pai disse aos filhos:
_Se vocês, individualmente, tentarem fazer qualquer coisa, fracassarão, mas se estiverem unidos sempre, nada pode lhes vencer.
Vejam que bela lição José hoje nos dá. O que ele ensinou aos seus filhos foi exatamente o que pediu São Paulo: 'permanecei unidos'. Quando amamos uns aos outros assim como Jesus nos pedia, vemos que a vida verdadeiramente se torna mais fácil porque estamos sempre em união com o amor de Deus e com o amor aos irmãos. Nessa bela sincronia, nossa felicidade verdadeiramente se torna divina e cristã e nós ganhamos força para continuar a seguir nosso caminho.
Alegria na Santidade
"Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros do mundo, a ostentar a palavra da vida" (Fp 2,14-16).
Quando Jesus disse: "Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5,48), ele não proclamou isso a toa, até porque é realmente assim que deve ser a nossa vida: santa. A partir da experiência que vamos ganhando em praticar a santidade em nossas atitudes, vamos vendo a nossa esperança de vida eterna ser concretizada. Dessa maneira, não sendo presunçosos, usamos, além da fé, a caridade para 'enfeitar' nossas ações. Vamos mostrando que realmente somos filhos muito amados de Deus Pai, que observam sua Palavra e guardam seus preceitos.
E santidade é isso: observar os mandamentos do Senhor. Quando fazemos isso, a nossa alegria fica mais viva na fé. Por quê?
Olhar para trás, ver nossas atitudes, nossa caminhada e sentir que tudo o que fizemos era bom motiva muito nossa esperança. Quando vemos que o que praticamos foram somente boas ações, temos, a cada dia, um sentimento de dever cumprido. Nossa felicidade se torna tão radiante que, inspirados por esse sentimento, não ficamos acomodados em nenhum momento, pelo contrário, buscamos lutar cada vez mais e mais por essa santidade. É preciso cuidar-se para que a nossa santidade seja preservada no cristianismo. Se não, corremos o risco de cair no pecado da presunção, e isso, infelizmente, nos induz a um mau comportamento. Ser santo não é só durante uma hora ou um dia, mas durante toda a vida.
'Eu e minha casa serviremos o Senhor'
"Alegrai-vos no Senhor" (Fp 3,1).
Papa João Paulo II, no discurso aos Bispos do Regional Norte 2 da CNBB disse que necessitamos evitar o sincretismo, aquilo que às vezes as pessoas dizem: 'tudo o que fala de Deus ou de religião, é bom; e não faz mal acreditar ou participar!' E afirmou duramente que 'Jesus é o único caminho para a redenção do homem' ("L'Osservatore Romano", de 10-6-1990).
É sobre isso que temos que falar agora. A verdadeira alegria precisa de um compromisso, ou seja, de assumir a quem queremos realmente seguir. Não tem jeito de ser católico e, ao mesmo tempo, ser protestante (de qualquer igreja), espírita, mórmon, da Seicho-no-iê, testemunha de Jeová, maçom, adventista do sétimo dia etc. Por quê? Primeiro, todas as doutrinas, em seus ensinamentos, se contradizem em algum ponto. Enquanto católicos rezam o terço, protestantes não acreditam em purgatório, testemunhas de Jeová não acreditam no inferno e espíritas crêem em reencarnação. É preciso escolher uma das religiões!
Quando nosso pai diz que vamos ganhar um presente de aniversário, ele diz que nos dará ou uma bicicleta ou um jogo de tabuleiro. 'Tem jeito de ficar com os dois?', você pergunta. E ele responde 'não'. Da mesma maneira, não tem como ser cristão e ser maçom! É preciso seguir uma só religião, evitar o sincretismo.
A exortação que eu sempre faço é que mudemos para a Igreja Católica, sempre, sempre. Ela é una, santa e apostólica, a única fundada por Cristo! É nela que devemos ingressar e é isso que Paulo nos chama a fazer: alegrar-se no Senhor, não em outros deuses, só em Deus, porque 'ele é o único caminho para a redenção do homem'. Josué disse que ele e sua casa serviriam ao Senhor (cf. Jos 24,15), Maria também: 'Eis aqui a serva do Senhor' (Lc 1,38), aliás, todos os que seguiram ao Senhor, seja no tempo da Bíblia, seja nos tempos atuais, tiveram que tomar essa decisão. Então, tome-a agora, porque nunca é tarde demais para voltar-se para Deus.
Constantes no amor de Deus
"Continuai assim firmes no Senhor, caríssimos" (Fp 4,1).
Além de decidir seguir a Deus, é preciso renovar sempre esse compromisso a cada dia de nossa vida. Como fazemos isso? A perseverança se baseia em pequenas atitudes, como atos de caridade e amor e atos de fé. Quem reza o terço, lê a Bíblia e visita todos os dias o Santíssimo Sacramento, está sempre renovando os sentimentos da sua vida. Assim, do mesmo modo, quem vai à missa e comunga o Corpo e o Sangue de Jesus. Quem ama o seu irmão e demonstra isso no dia-a-dia demonstra que está sempre perseverando na Palavra de Deus. São essas atitudes que são capazes de renovar nosso compromisso.
A perseverança tem um significado muito especial na vida do cristão. Quando você verdadeiramente conheceu a Jesus Cristo na Hóstia Consagrada e descobriu o sentido real da missa, sua vida mudou. Através da constância no amor de Deus, o católico é chamado a, todo dia, reviver em seu cotidiano aquele momento que ele conheceu o Cristo Jesus. O católico perseverante nunca oscila; está sempre renovado em suas atitudes, nunca pára e nunca desanima de fazer o bem. E isso é a perseverança cristã! Quando a alegria se faz presente em nossa vida, a constância faz com que essa felicidade se mantenha sempre em nosso coração. Assim, vê-se a necessidade de Deus para que estejamos sempre felizes. Claro que, às vezes, como humanos que somos, acabamos que ficamos tristes uma vez ou outra, mas, são raras essas oportunidades.
A perseverança é que torna essa oportunidade rara porque, se a cada dia vamos reintegrando em nosso coração o sentimento verdadeiro de fé, nossa vida tem uma felicidade duradoura, porque buscamos as coisas de Deus. Se, porém, não renovamos nossas atitudes, nossa alegria é totalmente mundana e nossa perseverança é destruída por aquilo que o mundo oferece.
Alegria no sofrimento
"Os magistrados mandaram arrancar-lhes as vestes para açoitá-los com varas. Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança. Este, conforme a ordem recebida, meteu-os na prisão inferior e prendeu-lhes os pés ao cepo. Pela meia-noite, Paulo e Silas rezavam e cantavam um hino a Deus" (At 16,22-25).
E, enfim, a alegria cristã mostra seu ponto mais forte: o cristão perseverante está sempre sorrindo, mesmo quando não dá. São nos momentos de fraqueza que se vê a força do católico, porque ele, apesar de todas as tribulações que sofre, está fiel nas promessas de Deus. O exemplo de Paulo é nossa maior força quando nos sentimos atribulados. Ele foi açoitado e, mesmo depois disso, conseguiu dar graças a Deus.
Jó, quando havia perdido todos os seus bens, 'não proferiu contra Deus blasfêmia alguma' (Jó 1,22). Pelo contrário, ele teve a força de dizer: 'bendito seja o nome do Senhor!' (Jó 1,21). Quantas vezes nós, em nossa falta de fé, pecamos contra Deus e contra o mundo por causa de qualquer tempestadezinha que aparece na nossa vida?! Jó e Paulo tiveram fé até o fim, permaneceram fiéis até a morte. Qual foi a recompensa que Jesus lhes deu? A glória eterna, pois, a alegria cristã tem que ter em mente uma realidade: 'aquele que perseverar até o fim será salvo'
(Mt 24,13).
Graça e paz.
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