quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ano Novo pela vida

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Saudações a vós, caríssimos irmãos e irmãs em Cristo Jesus, nosso Redentor, o ‘Príncipe da Paz’. Que o amor de Maria Santíssima e a sua prontidão possam estar sempre presentes em nossa busca incessante pela santidade na vida cristã e que nós possamos, imbuídos desse amor, fazer caridade para com todos nossos irmãos, especialmente os que mais necessitarem da misericórdia divina.

O Ofício de abertura das atividades de 2009 do nosso blog já está escrito desde o dia 20 de dezembro e o tema do texto é: ‘Não a discriminação!’. É preciso hoje levantar a bandeira do ecumenismo, não nos esquecendo que lutamos contra os erros, não contra a nossa semelhança. Lembrando também que, apesar do amor que temos aos irmãos, devemos sempre exortá-los a trabalhar pela fé, sem a qual ninguém pode agradar a Deus. Isso quer dizer que o amor ao próximo implica na educação cristã dele e não podemos deixar que o relativismo entre na nossa Igreja, que é una e sempre será.

Estou em Itumbiara, Goiás, e desde já deixo o meu abraço a todos os leitores do estado goiano que nos acompanham. A vós, graça e paz por parte de Nosso Senhor Jesus Cristo! Em 2009, provavelmente, em Janeiro, escrever-vos-ei uma carta ecumênica, a qual desejo que seja anunciada com grande ardor missionário por todos os povos.

Não posso deixar também de dar meus votos de ‘Feliz ano novo’ a todos os que lêem nossa página na Internet e também a todos aqueles que trabalham sem parar pela divulgação dos valores cristãos em todo o mundo. Abraços bem fortes ao amigo Sizenando Oliveira, do blog “Presente pra você”, abraços ao irmão Jorge, do blog “Deus lo vult” e ao amigo Danilo Augusto, do blog “Igreja Una”. A vós, minhas felicitações.

Também como não poderia deixar de ser, forte abraço ao Papa Bento XVI que, com muita paz e santidade, anuncia o Evangelho ao mundo. Grandes honras sejam prestadas a Deus pela vida desse servo de Cristo, aquele que somente era conhecido como Prefeito da grande Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger e a agora é o nosso querido Vigário de Cristo na terra. Minhas sinceras saudações a vossa santidade!

Aos demais irmãos do episcopado e bispado da Igreja, meus mais honrosos votos de Feliz Ano Novo!

“Ninguém prega retalho de pano novo em roupa velha; do contrário, o remendo arranca novo pedaço da veste usada e torna-se pior o rasgão. E ninguém põe vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho os arrebentará e perder-se-á juntamente com os odres; mas para vinho novo, odres novos.” (Mc 2,21-22).

Prezados irmãos e irmãs, o Evangelho que Jesus nos prega hoje é uma verdadeira maravilha, pois, é o anúncio certo para nossas vidas na passagem de ano. Hoje, último dia do ano, Deus nos exorta a mudar completamente nossa vida em favor do Reino de Deus. De maneira não tão clara, Jesus ensina que para segui-lo é preciso mudar de hábitos.

O convite que hoje ele nos faz é de renovação. Especialmente nesse ano novo, essa realidade se faz mais presente em nosso cotidiano. O que São Paulo nos exortava a fazer? “Renovai sem cessar os sentimentos da vossa alma” (Ef 4,23). É preciso nos esperançar cada vez mais nesse amor novo, nesse ano novo, nessa vida nova. Se estamos incessantemente renovando nossas metas, estamos sempre mantendo acesa a nossa esperança.

De fato, em 2009, é preciso levantar essa causa de vida nova. E é nesse sentido que vamos em busca da defesa de nossa fé católica. O amor pela Igreja nos consome, o amor por Cristo nos consome, o amor por Maria nos consome. E, se verdadeiramente estamos nessa união íntima com a Igreja de Cristo, devemos também nós assumir o compromisso de realizar a apologética do cristianismo.

Esse ano, se queremos realmente ter paz em nosso coração, precisamos renunciar às nossas vontades e começar a pôr Deus em primeiro lugar na nossa vida. A vontade d’Ele deve estar acima de qualquer coisa em nosso cotidiano. Nesse contexto, a favor da Igreja, devemos tomar atitudes essenciais em nossa vida.

Especialmente agora a nossa luta contra o aborto, a favor da vida deve estar mais forte, pois, o governo, em sua ignorância, está tentando maquiar a lei de Deus com uma verdade suja e ao mesmo tempo, abominável. Sim! Abominável. Foi assim que o Concílio Vaticano II denominou esse crime contra a vida.

Vamos revestir nossa vida de uma causa bela: a vida. Vamos deixar de querer pregar retalho novo em roupa velha, corrompida de pecado. Precisamos hoje vestir essa causa porque o silêncio dos bons, como já lembrava Luther King, não pode prevalecer.

“Ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à tua voz e permanecendo unido a Ele” (Deut 30,19-20).

Graça e paz.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Em defesa da Bíblia e da fé XIII – O Concílio Vaticano II

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Goza desta infalibilidade o Pontífice Romano, chefe do colégio dos Bispos, por força de seu cargo quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis e encarregado de confirmar seus irmãos na fé, proclama, por um ato definitivo, um ponto de doutrina que concerne à fé ou aos costumes... A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro, sobretudo em um Concílio Ecumênico. Quando, por seu Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa a crer como sendo revelada por Deus e como ensinamentos de Cristo, é preciso aderir na obediência da fé a tais definições. Esta infalibilidade tem a mesma extensão que o próprio depósito da Revelação Divina. (CIC 891)

As palavras que o Catecismo da Igreja Católica proclama brilhantemente acerca da Infalibilidade Papal são bastante convenientes. É preciso, como o documento mesmo disse, aderir na obediência da fé a todas as definições que os documentos dotados de infalibilidade declaram, especialmente o documento mais atual, o qual é denominado Concílio Ecumênico Vaticano II. Sendo um documento infalível, deve ser seguido e quem não adere a esse arquivo dentro da Igreja Católica deve ser considerado herege. Heresia, como reza o próprio Catecismo, é "a negação pertinaz, após a recepção do Batismo, de qualquer verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dessa verdade" (CIC 2089).

Dizemos isso porque, como já lembrava Martin Luther King, "o que mais me preocupa não é nem o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem caráter, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons." Não podemos, pois, ficar calados, pois Paulo nos alertava que não podíamos ter ligação nenhuma com as obras infrutíferas das trevas. Pelo contrário, precisamos denunciá-las abertamente! (cf. Ef 5,11).

A associação cultural Montfort, comandada pelo professor Orlando Fedeli, é um site na Internet bastante polêmico. Por quê? Porque se diz católico e se nega a obedecer ao que o Concílio Vaticano II manda. Além disso, é contra movimentos já aprovados pela Igreja, como a Renovação Carismática Católica e o Neocatecumenato. É triste ver que um site que se diz bastante católico, passa de ultra-conservador e pode ser considerado extremamente tradicionalista. Sublinhei o termo 'sobretudo em um Concílio Ecumênico' para que tenhamos esse discernimento aqui.

De acordo com Orlando F. e seus demais 'assistentes', para que qualquer declaração do Papa, seja infalível, deve tratar de questões de Fé e de Moral, querer ensinar a toda a Igreja, com a intenção de usar o poder de infalibilidade dado por Cristo a São Pedro, definir verdades sobre Fé e moral positivamente, proclamando cânones infalíveis, e, negativamente, proclamando anatematismos, isto é excomungando teses bem definidas, demonstrando a intenção de ensinar de modo inequívoco. Até aí eles estão certos, pois, tudo isso está em perfeita sincronia com o que nos ensina o Catecismo.

Mas, aí chega uma hora que ele declara: "Nada disso aconteceu no Vaticano II." Ora, as palavras do Catecismo são claríssimas: A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro, sobretudo em um Concílio Ecumênico. Então todo Concílio é infalível porque o Papa exerce sua infalibilidade nele. Não importa a intenção do Concílio. Seja ele pastoral ou dogmático, ele é um Concílio Ecumênico e deve ser obedecido.

No site da Santa Sé, entre os arquivos fundamentais da Igreja está ele: o Concílio Vaticano II. Se ele é fundamental, ele é fundamental. Se ele fosse falível, então não seria fundamental, porque a Igreja não selecionaria um documento com erros para ocupar uma posição tão privilegiada no seu sítio na Internet. Na exortação apostólica pós-sinodal do Papa Bento XVI, Sacramentum Caritatis, ele cumprimenta, por diversas vezes, o Concílio Vaticano II, principalmente em questão de renovação litúrgica, a qual o Papa denominou de querida:

"Desde as indicações claras do Concílio de Trento e do Missal de São Pio V até a renovação litúrgica querida pelo Concílio Vaticano II: em cada etapa da história da Igreja, a celebração eucarística, enquanto fonte e ápice da sua vida e missão, resplandece no rito litúrgico em toda a sua multiforme riqueza." (SC 3)

"De modo particular, os padres sinodais reconheceram e reafirmaram o benéfico influxo que teve, na vida da Igreja, a reforma litúrgica atuada a partir do Concílio Ecumênico Vaticano II." (Idem)

Veja! O Papa fala que a reforma litúrgica trouxe benefícios a Igreja!

E se lermos toda a exortação apostólica do Papa vamos achar ainda muitos outros trechos em que ele fala do Concílio, citando partes de sua estrutura na carta. É um erro bastante grotesco afirmar que o Vaticano II trouxe prejuízos à Igreja e confundiu os fiéis. O próprio Papa falou que o Concílio trouxe benefícios, principalmente com a reforma litúrgica. Temos, pois, que dar um basta nessas vozes que se declaram contra o Vaticano II. Ele é infalível e como tal deve ser tratado e, principalmente, obedecido. Dessa maneira, ainda usando palavras do Papa Bento XVI, temos o mais forte argumento contra os tradicionalistas da Montfort. Veja o que ele disse:

"É impossível para um Católico tomar posição pró ou contra Trento ou o Vaticano I. Quem aceita o Vaticano II, como ele claramente se expressou e se entendeu a si mesmo, ao mesmo tempo aceita a inteira tradição da Igreja Católica, particularmente, os dois concílios anteriores [...] Da mesma forma é impossível decidir a favor de Trento e do Vaticano I mas contra o Vaticano II. Quem quer que negue o Vaticano II nega a autoridade que sustenta os outros concílios e os separa dos seus fundamentos. Isto se aplica ao assim chamado 'tradicionalismo' [...] Uma escolha partidária destrói o todo, a própria história da Igreja, que só pode existir como uma unidade indivisível". (Fontes no post 'Pode um católico negar obediência ao Concílio Vaticano II?')

Ainda nessa linha, o Código de Direito Canônico ensina:

"Cân. 337 § 1. O Colégio dos Bispos exerce seu poder sobre toda a Igreja, de modo solene, no Concílio Ecumênico. § 2. Exerce esse poder pela ação conjunta dos Bispos espalhados pelo mundo, se essa ação for, como tal, convocada ou livremente aceita pelo Romano Pontífice, de modo a se tornar verdadeiro ato colegial."

"Cân. 341 § 1. Os decretos do Concílio Ecumênico não têm força de obrigar, a não ser que, aprovados pelo Romano Pontífice junto com os Padres Conciliares, tenham sido por ele confirmados e por sua ordem promulgados. § 2. Para terem força de obrigar, precisam também dessa confirmação e promulgação os decretos dados pelo Colégio dos Bispos, quando este pratica um ato propriamente colegial, de acordo com outro modo diferente, determinado ou livremente aceito pelo Romano Pontífice."

Que nós possamos, 'em sintonia com as diretrizes do Concílio Vaticano II' (SC 62), cumprir o que a Igreja fielmente nos exorta. Que nós possamos obedecer às leis da Santa Sé, sabendo que "a infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro, sobretudo em um Concílio Ecumênico."

Graça e paz.

Para maior instrução, leia a postagem que está no nosso blog, intitulada "Pode um católico negar obediência ao Concílio Vaticano II?"

domingo, 28 de dezembro de 2008

Mais uma palhaçada!

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A revista pornográfica já é um escândalo. Ainda mais quando abusa do nome da Virgem Maria e induz a adorá-la. Aí, além de confusão, muitas pessoas se alegram: os protestantes! A Igreja Católica é sempre atacada por todos e ninguém se levanta para defendê-la. Mas quando ela supostamente faz alguma coisa errada todo mundo quer julgá-la.
A capa da revista pode parecer bonita. A menina pode parecer bonita. Tudo pode parecer lindo, um mar de rosas. Mas, nada disso é bonito para quem ama verdadeiramente nossa Igreja e sabe que, além do pecado da pornografia, essa 'playboyzinha' incentiva agora também a difamar a Santa Igreja.
Quando levantamos nossas vozes, somos obrigados a ouvir palavras que saem da multidão pagã do mundo 'moderno'... Mas essas calúnias não aflingem e nunca aflingirão aqueles que verdadeiramente lutarem firmemente para combater a iniqüidade da sociedade corrompida em que somos chamados a brilhar, ostentando a palavra da vida.
Quanto mais vemos bobagens, mais temos que denunciá-las e é isso o que estou fazendo aqui. Pornografia é ofensa a Igreja! Idolatria é ofensa a Igreja! Ofender Maria é ofender a Igreja! Temos que dar um basta nisso tudo! Vamos dizer NÃO a pornografia e NÃO a zombaria à Nossa Senhora, porque, como o Pe. Roberto Lettieri já disse, "ninguém é católico se aceita zombaria contra a Mãe de Deus". Ponto final!

A Alegria Cristã

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Saudações sejam dadas a vós, irmãos e irmãs em Cristo Jesus Nosso Senhor! Que a paz de Cristo, o amor de Maria Santíssima, nossa mãe e o exemplo de castidade de José estejam sempre conosco! A luz do Espírito Santo possa irradiar em nossos corações e nós obedeçamos aos maravilhosos mandamentos do Senhor, pois, 'aquele que teme a Deus volta ao seu próprio coração' (Eclo 21,7).

Reverencio o nosso Santo Padre Bento XVI que, com uma sabedoria profunda, continua a exortar os fiéis a obedecer à Igreja, especialmente no que diz respeito ao Concílio Ecumênico Vaticano II que, embora não seja dogmático, deve ser respeitado em sua totalidade. Esse aviso vos dou para que não vos deixeis enganar pelas heresias que, sem sucesso, tentam se impregnar na Igreja através de pessoas que, apesar de querer demonstrar sabedoria, são dotadas de tremenda insensatez.

Assim como canta a música 'A alegria', do Padre Marcelo Rossi, 'ela [a alegria] está no coração de quem já conhece a Jesus...' São Paulo, em sua carta aos Filipenses, nos exorta a manter viva essa alegria na nossa fé em Jesus Cristo. Apesar de ser escrita na prisão, esta epístola mostra que não devemos nos gloriar somente nos momentos agradáveis da vida, mas aprender a 'nos gloriarmos até das tribulações' (Rm 5,3). Paulo ensina-nos a permanecer firmes em Cristo, tanto é que ele repete a palavra 'alegria' nessa carta treze vezes.

Anunciar o Evangelho

"Contanto que de todas as maneiras, por pretexto ou por verdade, Cristo seja anunciado, nisto não só me alegro, mas sempre me alegrarei" (Fp 1,18).

A primeira característica da alegria que São Paulo nos descreve nessa carta aos Filipenses está nesse ponto: anúncio do Evangelho de Cristo. A alegria do apóstolo se baseia nesse fato, de que, não importa como o Cristo seja anunciado, o que verdadeiramente importa é que ele seja proclamado. "Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!" (1Cor 9,16).

E é através do anúncio do Reino de Deus que as pessoas começam a entender o sentido da revelação da Palavra. É como diz a música que cantamos nas comunhões das missas, 'falta pão porque falta trigo, falta trigo porque não semeia, e falta semeadores porque ninguém foi lá fora chamar...' Se não semearmos o Evangelho, como vamos querer colher os frutos da mudança do mundo? Vemos aí a necessidade da pregação da Palavra. É uma atitude que renova as esperanças de muitas pessoas. Precisamos, baseados nessa alegria que Paulo declara, começar a fazer o mesmo que ele fazia: anunciar o Evangelho, não como glória, mas como obrigação de filhos e filhas de Deus, que conhecem a verdade. Se conhecemos, de fato, essa verdade, não podemos 'enterrá-la' como fez o servo preguiçoso quando o patrão lhe confiou seus talentos. É preciso proclamar aos quatro ventos a Palavra de Deus, porque ela leva a salvação e a conversão.

União na Caridade

"Completai a minha alegria, permanecendo unidos" (Fp 2,2).

A plenitude da alegria está no amor. Ele, que é 'o vínculo da perfeição' (Col 3,14), precisa ser, principalmente no mundo em que vivemos, a base de nossa pregação. Infelizmente, muitas seitas, com o intuito de pregar um cristianismo fácil, afirmam que basta somente a fé para que nos salvemos, o que é um engano tremendo. Ora, 'se alguém disser que ama a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso' (1Jo 4,20).

Nesse contexto de amor que vivenciamos nesse trecho da epístola de Paulo, precisamos também retornar ao sentido da palavra união. Não sei se vocês já ouviram falar da história do feixe de varas.

Havia, numa cidade do interior, uma casa onde viviam José e seus dois filhos, Marcos e Mateus. Ora, seus filhos brigavam muito e viviam em contendas. O pai se desesperava todas as vezes que eles começavam a discutir, pois ficava com medo que, com a intensidade da briga, os dois viessem a se matar. Às vezes, você vive isso em sua família hoje. Infelizmente, ocorrem entre os membros do seu lar muitas brigas e você fica, a exemplo desse pai, desesperado e com medo de que, um dia, possa acontecer uma tragédia.

Um dia, o pai ficou muito doente e, com medo de que viesse a falecer e seus filhos iniciassem uma sangrenta disputa pela herança dele, chamou-os, deu-lhes a cada um 1 feixe de varas e desafiou-os a quebrá-lo. Sem sucesso, depois de muito esforço, os dois voltaram e disseram ao pai que não haviam conseguido quebrá-lo. Depois, o pai deu aos dois um feixe e pediu que, juntos, tentassem novamente quebrar as varas. Depois de conseguir, o pai disse aos filhos:

_Se vocês, individualmente, tentarem fazer qualquer coisa, fracassarão, mas se estiverem unidos sempre, nada pode lhes vencer.

Vejam que bela lição José hoje nos dá. O que ele ensinou aos seus filhos foi exatamente o que pediu São Paulo: 'permanecei unidos'. Quando amamos uns aos outros assim como Jesus nos pedia, vemos que a vida verdadeiramente se torna mais fácil porque estamos sempre em união com o amor de Deus e com o amor aos irmãos. Nessa bela sincronia, nossa felicidade verdadeiramente se torna divina e cristã e nós ganhamos força para continuar a seguir nosso caminho.

Alegria na Santidade

"Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros do mundo, a ostentar a palavra da vida" (Fp 2,14-16).

Quando Jesus disse: "Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5,48), ele não proclamou isso a toa, até porque é realmente assim que deve ser a nossa vida: santa. A partir da experiência que vamos ganhando em praticar a santidade em nossas atitudes, vamos vendo a nossa esperança de vida eterna ser concretizada. Dessa maneira, não sendo presunçosos, usamos, além da fé, a caridade para 'enfeitar' nossas ações. Vamos mostrando que realmente somos filhos muito amados de Deus Pai, que observam sua Palavra e guardam seus preceitos.

E santidade é isso: observar os mandamentos do Senhor. Quando fazemos isso, a nossa alegria fica mais viva na fé. Por quê?

Olhar para trás, ver nossas atitudes, nossa caminhada e sentir que tudo o que fizemos era bom motiva muito nossa esperança. Quando vemos que o que praticamos foram somente boas ações, temos, a cada dia, um sentimento de dever cumprido. Nossa felicidade se torna tão radiante que, inspirados por esse sentimento, não ficamos acomodados em nenhum momento, pelo contrário, buscamos lutar cada vez mais e mais por essa santidade. É preciso cuidar-se para que a nossa santidade seja preservada no cristianismo. Se não, corremos o risco de cair no pecado da presunção, e isso, infelizmente, nos induz a um mau comportamento. Ser santo não é só durante uma hora ou um dia, mas durante toda a vida.

'Eu e minha casa serviremos o Senhor'

"Alegrai-vos no Senhor" (Fp 3,1).

Papa João Paulo II, no discurso aos Bispos do Regional Norte 2 da CNBB disse que necessitamos evitar o sincretismo, aquilo que às vezes as pessoas dizem: 'tudo o que fala de Deus ou de religião, é bom; e não faz mal acreditar ou participar!' E afirmou duramente que 'Jesus é o único caminho para a redenção do homem' ("L'Osservatore Romano", de 10-6-1990).

É sobre isso que temos que falar agora. A verdadeira alegria precisa de um compromisso, ou seja, de assumir a quem queremos realmente seguir. Não tem jeito de ser católico e, ao mesmo tempo, ser protestante (de qualquer igreja), espírita, mórmon, da Seicho-no-iê, testemunha de Jeová, maçom, adventista do sétimo dia etc. Por quê? Primeiro, todas as doutrinas, em seus ensinamentos, se contradizem em algum ponto. Enquanto católicos rezam o terço, protestantes não acreditam em purgatório, testemunhas de Jeová não acreditam no inferno e espíritas crêem em reencarnação. É preciso escolher uma das religiões!

Quando nosso pai diz que vamos ganhar um presente de aniversário, ele diz que nos dará ou uma bicicleta ou um jogo de tabuleiro. 'Tem jeito de ficar com os dois?', você pergunta. E ele responde 'não'. Da mesma maneira, não tem como ser cristão e ser maçom! É preciso seguir uma só religião, evitar o sincretismo.

A exortação que eu sempre faço é que mudemos para a Igreja Católica, sempre, sempre. Ela é una, santa e apostólica, a única fundada por Cristo! É nela que devemos ingressar e é isso que Paulo nos chama a fazer: alegrar-se no Senhor, não em outros deuses, só em Deus, porque 'ele é o único caminho para a redenção do homem'. Josué disse que ele e sua casa serviriam ao Senhor (cf. Jos 24,15), Maria também: 'Eis aqui a serva do Senhor' (Lc 1,38), aliás, todos os que seguiram ao Senhor, seja no tempo da Bíblia, seja nos tempos atuais, tiveram que tomar essa decisão. Então, tome-a agora, porque nunca é tarde demais para voltar-se para Deus.

Constantes no amor de Deus

"Continuai assim firmes no Senhor, caríssimos" (Fp 4,1).

Além de decidir seguir a Deus, é preciso renovar sempre esse compromisso a cada dia de nossa vida. Como fazemos isso? A perseverança se baseia em pequenas atitudes, como atos de caridade e amor e atos de fé. Quem reza o terço, lê a Bíblia e visita todos os dias o Santíssimo Sacramento, está sempre renovando os sentimentos da sua vida. Assim, do mesmo modo, quem vai à missa e comunga o Corpo e o Sangue de Jesus. Quem ama o seu irmão e demonstra isso no dia-a-dia demonstra que está sempre perseverando na Palavra de Deus. São essas atitudes que são capazes de renovar nosso compromisso.

A perseverança tem um significado muito especial na vida do cristão. Quando você verdadeiramente conheceu a Jesus Cristo na Hóstia Consagrada e descobriu o sentido real da missa, sua vida mudou. Através da constância no amor de Deus, o católico é chamado a, todo dia, reviver em seu cotidiano aquele momento que ele conheceu o Cristo Jesus. O católico perseverante nunca oscila; está sempre renovado em suas atitudes, nunca pára e nunca desanima de fazer o bem. E isso é a perseverança cristã! Quando a alegria se faz presente em nossa vida, a constância faz com que essa felicidade se mantenha sempre em nosso coração. Assim, vê-se a necessidade de Deus para que estejamos sempre felizes. Claro que, às vezes, como humanos que somos, acabamos que ficamos tristes uma vez ou outra, mas, são raras essas oportunidades.

A perseverança é que torna essa oportunidade rara porque, se a cada dia vamos reintegrando em nosso coração o sentimento verdadeiro de fé, nossa vida tem uma felicidade duradoura, porque buscamos as coisas de Deus. Se, porém, não renovamos nossas atitudes, nossa alegria é totalmente mundana e nossa perseverança é destruída por aquilo que o mundo oferece.

Alegria no sofrimento

"Os magistrados mandaram arrancar-lhes as vestes para açoitá-los com varas. Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança. Este, conforme a ordem recebida, meteu-os na prisão inferior e prendeu-lhes os pés ao cepo. Pela meia-noite, Paulo e Silas rezavam e cantavam um hino a Deus" (At 16,22-25).

E, enfim, a alegria cristã mostra seu ponto mais forte: o cristão perseverante está sempre sorrindo, mesmo quando não dá. São nos momentos de fraqueza que se vê a força do católico, porque ele, apesar de todas as tribulações que sofre, está fiel nas promessas de Deus. O exemplo de Paulo é nossa maior força quando nos sentimos atribulados. Ele foi açoitado e, mesmo depois disso, conseguiu dar graças a Deus.

Jó, quando havia perdido todos os seus bens, 'não proferiu contra Deus blasfêmia alguma' (Jó 1,22). Pelo contrário, ele teve a força de dizer: 'bendito seja o nome do Senhor!' (Jó 1,21). Quantas vezes nós, em nossa falta de fé, pecamos contra Deus e contra o mundo por causa de qualquer tempestadezinha que aparece na nossa vida?! Jó e Paulo tiveram fé até o fim, permaneceram fiéis até a morte. Qual foi a recompensa que Jesus lhes deu? A glória eterna, pois, a alegria cristã tem que ter em mente uma realidade: 'aquele que perseverar até o fim será salvo'
(Mt 24,13).

Graça e paz.

Renúncias na família

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Saudações a vós, irmãos e irmãs em Cristo Jesus Nosso Senhor! Que a luz do Espírito Santo possa sempre nos iluminar para que, imbuídos do amor de Cristo, aumentemos a cada dia as nossas forças de anunciar o Evangelho de Jesus a todos os povos, especialmente os da América, que andam tão necessitados de reativar, em suas vidas, a realidade da obediência cristã em sincronia com a Palavra de Deus. Necessitamos urgentemente de reunir as nossas famílias para a oração, para a leitura da Bíblia, para que, através dessas e outras atitudes, as nossas comunidades vão se unindo em busca da fé.

Hoje, a Liturgia celebra uma festividade muito importante do calendário católico, a solenidade da Sagrada Família, Jesus, Maria e José. Temos, neste dia, o convite mais intenso de exortação à união familiar, já que celebramos uma família que foi e é exemplo de comunidade para todos nós: a família de Jesus. O Evangelho que proclamamos hoje está em Lucas 2,22-40:

"Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2); e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.

Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:

'Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.'

Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: 'Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.'

Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.

Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré. O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele."

Respeitáveis irmãos e irmãs! Hoje percebemos que a Liturgia do Natal ainda se faz presente na vida da Sagrada Família. Maria e José foram a Jerusalém para apresentar o recém-nascido Jesus a Deus para consagrá-lo. Aqui já vemos a primeira passagem bonita desse Evangelho. Quero que volteis a mais ou menos 2015 anos atrás e imagineis essa cena: Maria e José indo para outra cidade levando Jesus. Aqui nessa atitude dos pais de Cristo já vemos o que temos que pôr hoje em prática em nossa vida familiar.

Assim como José e Maria levaram Jesus pelo caminho, também nós, independente do papel que exercemos dentro de nossa comunidade, devemos levar Jesus por onde passarmos. De maneira bastante implícita, o Evangelho nos dá uma dica familiar: anunciar Jesus em nossa casa. É nesse fundamento que está baseado o ponto culminante da educação de nossos filhos. A sociedade em que crescemos tem essa responsabilidade: anunciar Jesus, levá-lo às pessoas!

Dentro de nossas famílias, cada vez mais, estamos nos deixando levar por uma educação vergonhosa! Através dos meios de comunicação, que estão contaminados pelo demônio, as nossas famílias vão se transviando, se tornando famílias desonrosas e desonradas aos olhos de Deus. Não tomamos mais como exemplo a Sagrada Família de Jesus, mas deturpamos a mais bela imagem de amor que há no ser humano e começamos a nos espelhar na Flora e em tantos outros personagens de novelas que, infelizmente, estão conseguindo destruir muitos lares. Ao invés de proclamarmos: 'Lar doce lar', nossos filhos e nossos pais estão se deixando guiar pela sexualidade desregrada e pela falta de compromisso, mostrando que a realidade familiar hoje é bem diferente.

E isso é fruto da falta de oração, da falta de amor, da falta de união. Existe hoje em nossos lares a necessidade urgente da presença de Deus. E são através dessas pequenas atitudes que vemos que Deus está no meio de nós. Mas, como nos esquecemos de fazer as coisas boas, praticar o bem, vamos entrando num mundo 'corrompido pelas concupiscências enganadoras' (Ef 4,22). Se não começarmos a mudar a nossa vida, não vamos sair do buraco que está se tornando nossas famílias! Enquanto não pararmos de buscar a nossa felicidade no mundo, não vamos alcançar a paz dentro das nossas casas!

O que eu tenho que dizer hoje é muito duro de falar, mas é a mais pura realidade: nossas famílias estão do jeito que o demônio gosta! E o que era para ser um avanço tecnológico agradável se tornou a pior das pestes, a maior fonte de destruição dos nossos lares. Quando digo 'avanço tecnológico', falo especialmente da televisão e da Internet. O que era para ser bom, virou novela, virou tragédia, falcatrua, maldade, violência. Isso porque, ao invés de vermos a TV Século 21, a Rede Vida, ou a TV Canção Nova, preferimos assistir à porcaria de uma novela, de um programinha de televisão que só sabe mostrar pornografia e brigas familiares.

Nós achamos que não tem nada a ver, mas, esse é o principal método que o diabo usa para corromper nossas famílias. Se não abrirmos os nossos olhos à realidade que o mundo está vivendo, vamos afundar cada vez mais nesse abismo. Deus quer nos resgatar, mas se nós não tentarmos subir, vai ser difícil. O começo da renovação em nossa vida, São Paulo nos ensina:

"Vós, porém, não foi para isto que vos tornastes discípulos de Cristo, se é que o ouvistes e dele aprendestes, como convém a verdade em Jesus. Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade." (Ef 4,20-24).

É tão claro o que ele nos fala: 'Não foi para isto que nos tornamos discípulos de Cristo!', não foi para vivermos na traição, no adultério, na prostituição, na falta de amor, que nos tornamos discípulos de Jesus! Não foi para assistir palhaçadas e ouvir músicas pecaminosas ("... ela sai de saia") que nos tornamos servos do Senhor! Temos que renunciar a tudo isso que nos corrompe e que nós vemos que é errado. É assim que mostramos que verdadeiramente ouvimos e aprendemos o que nos ensinou o Mestre Jesus.

Na família, essa renúncia e ao mesmo tempo, essa renovação só pode vir quando tomarmos o compromisso que tomou Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor' (Lc 1,38) e que também Josué tomou: 'Eu e minha casa serviremos o Senhor' (Jos 24,15). É necessário nos despojar do homem velho! E tudo o que é mal deve ser desterrado do nosso meio! Tudo, tudo! Não podemos deixar nada que é ruim ficar no nosso lar! E, ao mesmo tempo em que vamos renunciando a isso tudo, vamos renunciando também a mentira, ao adultério, a tristeza, ao ódio, a falta de perdão... E, a partir disso, comecemos a tomar atitudes mais cristãs em nosso lar: rezar o terço, ler a Bíblia, assistir a TVs católicas, ouvir a músicas católicas, usar roupas que não induzem ao mau comportamento, enfim, fazer uma limpeza completa de tudo aquilo que não presta em nossa vida.

Assim, a essência cristã de nossas famílias pode finalmente respirar e nosso mundo, com certeza, mudar.

Sagrada Família, rogai por nós!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Pode um católico negar obediência ao Concílio Vaticano II?

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Por Alessandro Lima

"Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou" (Lc 10,16).

Realmente tenho que reconhecer que na Modernidade há coisas bem curiosas, especialmente no meio católico. Como alguém pode se dizer católico e negar o que a Igreja ensina? Como alguém pode se dizer católico e ficar dando ouvidos aos gurus?

Pois é exatamente isso que está acontecendo hoje. Infelizmente isso não é novo. De tempos em tempos os católicos são arrastados a resistirem à Igreja. A razão é sempre a mesma: são seduzidos por argumentos de quem se acha o guardião da Ortodoxia Católica.

Até mesmo o perfil psicológico destes "gurus" não muda. São pessoas de grande piedade, parecem demonstrar grande amor à Igreja, possuem um enorme poder de sedução, apresentam-se sempre com muita humildade, porém esta máscara logo cai quando são contrariadas. São pessoas de mentalidade estreita e de grande orgulho. Ensinam suas próprias convicções como se fossem o sumo da doutrina católica.

Muitas vezes temos dificuldade de entender algo que a Igreja expõe, seja pela grandeza da matéria, pela erudição da exposição ou ainda por causa da abertura dos termos que ela utiliza. Que fiel no séc. IV entendeu o que a Igreja quis dizer com "consubstancial ao Pai" ?

Ora, nós somos limitados, mas a Igreja goza de assistência especial do Espírito Santo. Por isso devemos confiar nela e não nos "gurus" que normalmente nem fazem parte da Igreja docente. Se há um ponto difícil de entender na exposição da doutrina, ou uma contradição aparente em relação ao que sempre foi ensinado, cabe ao Magistério da Igreja explicá-lo.

Especialmente no que diz respeito ao Concílio do Vaticano II, a má vontade dos tradicionalistas em encontrar na letra do Concílio a perene Doutrina da Igreja é notória. Em resumo, encontram "chifres em cabeça de cavalo", pois dizem que os documentos do Concílio ensinam erros que lá não estão e pelo fato do Concílio não ter sido dogmático, complementam alegando que é legítimo recusar seus ensinamentos.

Primeiramente ensina o Código de Direito Canônico:

Cân. 337 § 1. O Colégio dos Bispos exerce seu poder sobre toda a Igreja, de modo solene, no Concílio Ecumênico. § 2. Exerce esse poder pela ação conjunta dos Bispos espalhados pelo mundo, se essa ação for, como tal, convocada ou livremente aceita pelo Romano Pontífice, de modo a se tornar verdadeiro ato colegial.

Cân. 341 § 1. Os decretos do Concílio Ecumênico não têm força de obrigar, a não ser que, aprovados pelo Romano Pontífice junto com os Padres Conciliares, tenham sido por ele confirmados e por sua ordem promulgados. § 2. Para terem força de obrigar, precisam também dessa confirmação e promulgação os decretos dados pelo Colégio dos Bispos, quando este pratica um ato propriamente colegial, de acordo com outro modo diferente, determinado ou livremente aceito pelo Romano Pontífice. (grifos meus).

O Concílio do Vaticano II foi Ecumênico, logo, nele a Igreja exerceu seu poder solene sobre toda Igreja e foi livremente convocado pelo Pontífice Romano, conforme o cân. 337. Seus decretos foram confirmados e promulgados pelo Papa, logo tem poder de obrigar toda a Igreja, conforme o cân. 341, ao contrário do que ensinam os tradicionalistas. A confirmação de que toda Igreja também deve aceitar os ensinamentos não dogmáticos encontramos no cân. 752, onde lemos:

Cân. 752 Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela
(grifos meus).

Em At 15 a Escritura nos dá chance de conhecer alguns dos decretos do Concílio de Jerusalém, como a carta enviada para os cristãos de Antioquia:

Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde!  Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas. Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável: que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus! (At 15,24-29).

Será que estas determinações foram dogmáticas? Se foram, porque não as observamos hoje? Mesmo não sendo dogmáticas foram entregues pelos apóstolos para serem observadas. Completa a Escritura: "Nas cidades pelas quais [Paulo e Timóteo] passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém" (At 16,4)

Também naquele tempo não faltaram os tradicionalistas que diziam que Jesus afirmou a não abolição da Lei (cf. Mt 5,17). Com efeito, estes conhecidos hoje como ebionitas, não aceitaram o Concílio de Jerusalém.

Em todo tempo, Concílio após Concílio, nunca faltou o grupo dos "iluminados", dos "verdadeiros detentores da ortodoxia", que viam nas novas definições, nas novas formas da Igreja expor a Doutrina, novidades ou heresias.

Em nosso tempo a história se repete, mas com outros protagonistas e outras polêmicas. Também com uma característica bem diversa: o cisma não é formal como antes, é informal, por isso a dificuldade dos católicos identificarem estas pessoas como não-católicas.

Os tradicionalistas fazem tanto mal aos fiéis quanto os modernistas. Mostram-se tão católicos quanto os vétero-católicos e os ortodoxos.

Ser católico é ter a Igreja como Mãe e Mestra. Um filho que é obediente na infância, mas se nega a sê-lo na adolescência quando a Mãe lhe transmite novas normas, recusa sua filiação e impõe na família uma desordem não querida por Deus.

Aliás, sítios tradicionalistas que adoram tomar textos do Card. Ratzinger à revelia, mostrando notória desonestidade, esqueceram de divulgar o seguinte trecho:

O Vaticano II é sustentado pela mesma autoridade que sustenta o Vaticano I e o Concílio de Trento, a saber, o Papa e o Colégio dos Bispos em comunhão com ele...Também com respeito ao seu conteúdo, o Vaticano II está na mais estreita continuidade com ambos os concílios anteriores e incorpora os seus textos palavra por palavra nos pontos decisivos.

É impossível para um Católico tomar posição pró ou contra Trento ou o Vaticano I. Quem aceita o Vaticano II, como ele claramente se expressou e se entendeu a si mesmo, ao mesmo tempo aceita a inteira tradição da Igreja Católica, particularmente, os dois concílios anteriores [...] Da mesma forma é impossível decidir a favor de Trento e do Vaticano I mas contra o Vaticano II. Quem quer que negue o Vaticano II nega a autoridade que sustenta os outros concílios e os separa dos seus fundamentos. Isto se aplica ao assim chamado 'tradicionalismo' [...] Uma escolha partidária destrói o todo, a própria história da Igreja, que só pode existir como uma unidade indivisível
(The Ratzinger Report: An Exclusive Interview on the State of the Church by Joseph Cardinal Ratzinger; Ignatius Press, San Francisco, 1985, pgs.28-9).

Ora, é o próprio Card. Ratzinger, hoje Papa Bento XVI que afirma que é impossível ser católico e negar o Concílio do Vaticano II, que é impossível ser católico e ser tradicionalista. Como bem se vê, engana-se redondamente quem pensa que os escritos do Card. Ratzinger são tradicionalistas. Ele, homem de personalidade forte e firme na ortodoxia, não ensinaria uma coisa em um lugar e outra em outro. O método dos tradicionalistas é o mesmo usado pelos calvinistas quando deturpam os textos de Santo Agostinho.

Quem colabora com estes grupos (Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Associação Cultural Montfort, Permanência e etc) não colabora com a Igreja e viola o cân. 752 do Código de Direito Canônico.

Quem pretende ser católico deve colaborar com a Santa Igreja Católica, admitindo tudo que ela ensina, inclusive no Concílio do Vaticano II, pois nos ensinou o Senhor: "Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha" (Mt 12,30).

LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: PODE UM CATÓLICO NEGAR OBEDIÊNCIA AO CONCÍLIO ECUMÊNICO DO VATICANO II?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4325. Desde 27/06/2007.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

As obras são importantes

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Saudações a vós, irmãos e irmãs em Cristo Jesus Nosso Senhor! "O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça! O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a paz!" (Num 6,24-26). Que nós possamos, a exemplo de Maria, aceitar em nossa vida os desígnios de Deus e que possamos proclamar, como ela, 'minha alma glorifica o Senhor' (Lc 1,46). Bendito seja o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo! Amém.

"Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em conseqüência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graça que fostes salvos! – juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar no céu com Cristo Jesus" (Ef 2,4-6).

Caríssimos irmãos e irmãs, esse texto que São Paulo nos escreve através dos efésios é bastante difícil de ser interpretado. Existem muitas pessoas (ou, melhor dizendo, religiões) que deturpam o verdadeiro sentido desse Evangelho, assim como muitos outros. Pedro nos alertou sobre isso: "Há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína" (2Pd 3,16). Desse modo, vamos esclarecer aqui o que realmente quer dizer esse trecho do Evangelho.

As palavras que Paulo escreveu significam que somos salvos simplesmente por graça de Deus. Isso quer dizer que nossa salvação 'não provém das obras, para que ninguém se glorie' (Ef 2,9). Então, concluímos que nossa salvação é 'puro dom de Deus' (Ef 2,8). Mas, é preciso ter em mente uma coisa: a nossa salvação é puro dom de Deus porque se fôssemos salvos somente pelas obras, então estávamos 'ferrados'. Porque Paulo disse que 'todos pecaram e estão privados da glória de Deus' (Rm 3,23). O que isso quer dizer? Que a ressurreição de Cristo é para nós a maior fonte de esperança da vida cristã. Se não fosse a misericórdia de Deus para nos salvar, estaríamos todos perdidos. De fato, qualquer pecado que cometemos, por menor que seja, nos impede de chegar a Deus.

Superficialmente, podemos afirmar que a salvação não provém das obras, mas, analisando mais profundamente e perscrutando as Sagradas Escrituras intensamente concluímos que não. De fato, somos salvos por graça de Deus. Isso não quer dizer que nossas obras são em vão! Ao mesmo tempo em que o apóstolo Paulo nos diz que a salvação não provém das obras, ele afirma que 'os que as [fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes (Gl 5,19-21)] praticarem não herdarão o Reino dos Céus!' (Gl 5,21). Então nossa salvação é fruto da graça de Deus, mas se não mostrarmos que verdadeiramente nos libertamos do jugo da escravidão, praticando as boas obras, não herdaremos o Reino dos céus, ou seja, não seremos salvos.

É um engano muito grande pensar que só porque Cristo ressuscitou seremos salvos. Então, se for assim, de nada valem os ensinamentos da Bíblia, de nada valem as palavras de Jesus que diziam: 'Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito' (Mt 5,48). Em Cristo, temos a liberdade, não a libertinagem. Sabemos que somos pecadores e isso, infelizmente, nos impede de chegar a Deus, mas, é claro que o Senhor vê o nosso esforço pela busca da santidade e considera isso sim. Nossa sabedoria, nossas boas ações, nossa fé, nossa esperança, tudo isso é levado em conta e não somente a fé, como muitas seitas proclamam.

Se for assim, o verdadeiro sentido do cristianismo é esquecido e nossa sociedade cai na armadilha de pensar que pode fazer o que quiser que, mesmo assim, alcançará o Reino de Deus. Não vivemos pela prática da lei porque não somos perfeitos, mas também não vivemos somente pela fé. Ter fé não é ter preguiça espiritual. 'A fé sem obras é morta'.

Na verdade, as nossas más obras nos impediam de chegar à graça de Deus e ainda nos impedem. E é aí que está o sentido da ressurreição de Cristo: através dela somos chamados a viver no Espírito Santo, não nos prazeres carnais. Quem os fizer não herdará o Reino dos céus! As obras, então, importam sim e é através delas que adquirimos 'o vínculo da perfeição', sem a qual ninguém verá a Deus.

Graça e paz.

Não ao relativismo na Igreja Católica

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O Padre Roberto Lettieri, na homilia da missa da solenidade de Pedro e Paulo e Celebração do Sangue de Jesus (dia 1 de julho de 2007), falou sobre esse tema: 'Não ao relativismo na Igreja Católica' e nos alertou para que não nos deixemos levar por um ecumenismo falso e não deixemos que entre em nossa Igreja idéias de outras religiões. A Igreja de Cristo é o que ele representa para nós, caminho, verdade e vida e é preciso proclamar isso hoje em nossa vida!

Amados filhos e filhas da Igreja de Deus, que professamos, de um extremo ao outro da terra, santa e católica. Hoje nosso coração, dentro do mistério da missa, eleva ao altar a nossa gratidão pelo precioso sangue do Senhor, que é nossa bebida celestial, pelas colunas da Igreja, Pedro e Paulo, pela fé que recebemos dos apóstolos, pela presença de Pedro hoje no coração do Papa Bento XVI, por estarmos aqui, participando da Igreja, por poder dizer que sou e pertenço à Igreja Católica.

É claro que em cada momento da Igreja, precisamos mudar a voz do Espírito. Por isso, é fundamental, nessa solenidade, não esquecer que a Igreja não pode ser vulgarizada, relativizada as custas de um ecumenismo que não é autêntico. Nós, como católicos, amamos a todos. E está aí a essência da palavra católico, universal. Nós amamos a todos, não fazemos distinção de ninguém, não podemos fazer isso. Mas, ao lado do amor incondicional, há a alma da Igreja, o anúncio total da verdade revelada.

Por exemplo, nós não podemos deixar, embora amando a todos, que tudo o que Deus fez na vida da Virgem seja motivo de zombaria, de escarno. Não faz parte do ecumenismo católico aceitar que a Virgem não é virgem. Amamos e podemos dar a vida por quem não crê que ela é virgem, contudo, aceitar, para ter uma união ecumênica, que Maria não foi o que a Igreja professa, não.

Quando vejo o amor que o Nelsinho Corrêa tem por Maria, me sinto obrigado a dizer que, apesar de não entender de música, sei que cantor católico não pode ficar sem cantar a Mãe de Deus em situação nenhuma, em CD nenhum.

(...)

Hoje, estamos, infelizmente, sendo vítimas do relativismo. O que é relativismo? É pensar que a Igreja Católica tem a mesma propriedade mistérica de qualquer igreja. Não importa a igreja, o que importa é a conversão. Se o que importa é só a conversão, isso é conversa de igrejinhas 'pentecostais', de garagem. E não é desrespeito nenhum, porque é realmente uma garagem. E porque hoje se faz de Jesus e do evangelho de Jesus aquilo que se quer. A nossa identidade deve estar em nosso coração e em nossa alma. Devemos mostrar porque somos católicos e demonstrar esse amor a todos.

Há dias atrás, uma igreja pentecostal a nível mundial, em um culto, distribuiu 15000 preservativos na porta do templo para afrontar a moral e a ética da Igreja e do Evangelho. Nos seus comerciais, começaram a rodar propagandas favoráveis ao aborto. Isso para afrontar o bem mais sagrado da Igreja, que é a vida. Mas, a palavra 'conversão' é inerente, é alma do seu amor para com a Igreja de Cristo. Nós ficamos diante de situações, nas quais devemos anunciar a verdade, que não pode ser dilacerada: o nosso amor a Deus implica no amor também à Igreja de Cristo.

(...)

Não há nenhuma novidade que há um plano protestante para tornar o Brasil um país protestante. Claro que isso não vem como uma afronta clara contra nós, mas vem por atrações muito subjetivas, primeiro a respeito de doutrina: o que importa é o teu encontro pessoal com Deus, o que importa é tua conversão, não importa a verdade, importa que você está salvo. A igreja pode ser qualquer uma, desde que a pessoa se sinta bem... A verdade não existe mais, ela está no coração de quem quiser.

Eu posso ter um amor profundo a um pastor evangélico, mas ele não pode concelebrar a missa do meu lado porque ele não crê no corpo, que é a Igreja. Ele não pode comungar o corpo de Cristo se ele não crê no corpo, que é a Igreja. Eu não posso brincar com o altar.

Esse relativismo vai penetrando... Mas, o Papa Bento XVI, já quando assumiu a Cátedra de Pedro, nos exortou que 'a Igreja é a verdade, ela tem a revelação plena', mesmo que nos a maculemos, e como nós temos machucado a Igreja com nossas atitudes. A verdade é dolorida, mas não podemos viver no relativismo.

Eu até estou aqui com a homilia do dia em que o até então cardeal Joseph Ratzinger assumiu o cargo de Papa, no dia 7 de maio de 2005 (Clique aqui para ver). Ele nos fala do mistério do amor que Jesus tem pela Igreja e o dom que a Igreja tem de atrair a si pelo anuncio da verdade, não pelo relativismo. Isso que está infelizmente penetrando, esse jeito de querer agradar as pessoas... 'Ah, para agradar alguém, eu nego as verdades profundas da Igreja', aquilo que é sua essência. E os tempos são muito difíceis. Há uma tendência da humanidade em zombar descaradamente da Igreja. Porque eles pensam que os católicos não têm uma autenticidade da verdade, sendo que essa autoridade era de Jesus. Se um dia eu tiver a graça de morrer pelo Evangelho, eu não vou morrer pelo meu evangelho, mas pelo Evangelho de Jesus, pela verdade revelada da Igreja.

A verdade, o anúncio do Evangelho em sua plenitude, é que atrai para a Igreja a sua autenticidade. Quanto medo existe no coração de tantas pessoas e quanta confusão há em suas cabeças, e aquele desejo que têm de agradar às pessoas. O que fazem com a Igreja, o modo com que tratam os sacramentos ninguém vê. Há músicas protestantes que estão frontalmente contra a Igreja e que estão na boca de católicos. 'Ah, mas a música fala de Jesus', mas não fala do amor à Igreja. Pelo contrário. Eu não posso por minha vontade, colocar quem eu amo para celebrar do meu lado, porque o altar não é meu, é de Jesus.

'Mas, e o amor, padre?'. O amor é a verdade. Se você quer a verdade, volta ao rebanho. Não é nenhuma mentira que os evangélicos tomam suco de uva porque é o que eles crêem. Nós não cremos que é como se fosse seu sangue, nós cremos que é realmente o Seu Sacratíssimo Sangue, como Jesus mesmo nos ensinou: 'Isto é o meu sangue' (Mt 26,28). Não é desrespeitar ninguém, porque essa é a verdade.

Quantas vezes nós escutamos dentro do coração palavras que querem destruir a nossa própria integridade! Não é uma questão de desamor, pois, o amor é a verdade! O Papa mesmo dizia que 'a Igreja não faz proselitismo. ' O que é isso? É entrar na luta como se a Igreja fosse como as outras. A Igreja não está em luta de poder financeiro com igreja nenhuma. E nós sabemos que tantas igrejas protestantes vivem de franquia, vivem querendo adquirir poder financeiro...

Mas não podemos continuar tendo medo, não podemos continuar relativizando a Igreja e do mistério do Evangelho. Temos que obedecer à Igreja. Não é fácil. É muito mais fácil fundar uma igreja e ter poder sobre ela. Como diz o Apocalipse, o Evangelho virou mel na boca de muita gente. Todos querem poder por causa do Evangelho, todos querem dinheiro por causa do Evangelho. Mas, por trás disso, há uma corrupção tremenda e uma brincadeira com as coisas de Deus.

Dessa maneira, não vamos deixar de amar a todos, mas também não queremos e não somos ignorantes a ponto de pensar que ser católico, tanto faz. A ponto de pensar que a musicalidade protestante é igual à música católica, pois não é. A liturgia protestante não pode ser comparada ao sacrifício da missa. Se você, católico, não vê a santidade da Igreja, é porque você, na sua comodidade, não busca a santidade. A culpa não é da Igreja, a culpa é sua.

E essa afronta que fazem com a Igreja: essa nova novela da rede Globo está aí ('Sete Pecados'). Quem nos exorta contra os sete pecados capitais? A Igreja. Claro, então, que atinge diretamente ao mistério da Igreja.

Na parada gay, uma pessoa tirou duma âmbula um preservativo, vestido de papa. E nós, católicos, ficamos adormecidos na naturalidade. O amor não é isso!

O mistério da Igreja é a verdade. 'É, padre, mas a história da Igreja tem tantas coisas erradas...', porque nós o fizemos, porque nós maculamos a Igreja. Mas a santidade da Igreja ofusca as pessoas, quando ela é vivida por aqueles que amam a Jesus. Não se ama a Cabeça sem o Corpo. E eu sei que é muito mais fácil cortar o corpo da cabeça. É muito mais fácil viver do jeito que eu quero.

Sobre o que São Tiago nos diz hoje (Tg 5,1-6), tudo tem como fundamento o poder do dinheiro e o dinheiro é a desgraça! Infelizmente, se nós não abrirmos o coração ao mistério de Jesus, ao mistério do altar, dos sacramentos, e isso implica em assumir verdadeiramente que somos católicos também na defesa de nossa fé. Ninguém é católico se aceita zombaria contra a Mãe de Deus.

Em relação ao judaísmo, ao budismo, ao protestantismo, não podemos aceitar algumas objeções à nossa fé, por exemplo, aceitar que Maria não foi virgem! 'Ah, o que importa Jesus', mas se não trazermos também aquela que importa e que trouxe Jesus, não tem Cristo coisíssima nenhuma! Claro que Maria é importante! Claro que ela é fundamental!

Como eu quero tirar a Virgem da história afetiva de vida do Senhor Jesus? Temos que abraçar e amar a Igreja. Não podemos relativizar.

Se houver 30000 pessoas no show duma cantora evangélica, eu vou com 5 pessoas escutar a Salette Ferreira porque ela é católica. 'Ora, mas Jesus não está lá também?'. Problema deles! Creio que está! Mas eu vou no show que canta a minha Igreja, a minha fé. O canto da Salette não é igual ao de cantora protestante coisíssima nenhuma porque ela adora Jesus no altar e isso é bem diferente.

E aqui dou um aviso aos cantores católicos: parem de imitar os protestantes, se não daqui alguns dias vocês cantarão pras paredes! Temos que cantar a nossa fé!

A Igreja Católica tem a verdade. Nós amamos a todos, mas não podemos relativizar isso!

Se falamos em liturgia, sabemos que a missa é o centro de nossa fé, a máxima presença de Jesus. Então, o católico tem a mínima sabedoria da diferença de adorar Jesus em casa e adorar Jesus no altar.

Por trás de certo ecumenismo, há uma traição. 'Vamos tornar o Brasil um país protestante! Vamos atrair os católicos com tudo o que temos, porque eles não dão mais valor ao que é deles, só dão valor ao que é nosso!'

Há uma diferença muito grande entre a Igreja de Cristo e igrejas evangélicas. Não se compara a Igreja Católica à igrejas protestantes. Na minha missa, eu não aceito cantos evangélicos e acabou! 'Por quê?' Porque Jesus é o sacrifício da missa. E nós não podemos pôr na missa uma música de alguém que não crê no mistério do altar. Eles crêem que Jesus é o Senhor, mas não crêem no mistério da Igreja. O altar da Igreja é o lugar do sacrifício.

Nós, católicos, com amor, não podemos deixar-nos levar por um relativismo barato, ignorando a nossa fé. Pergunta-se: não é uma ameaça a liberdade de pensamento? Não é assim! Nós não queremos tirar a liberdade de ninguém, mas temos que anunciar a verdade, que é nossa obrigação. Se eu não anuncio a verdade, eu não sou católico. Não podemos, pois, permitir que em nossa Igreja, onde está contida a verdade, entre o relativismo.

Editado por: Everth Queiroz Oliveira

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O amor humilde de Deus se faz presente no Natal

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Essa é a homilia do Santo Padre Bento XVI na tradicional missa da meia noite no Vaticano, do dia 24 de dezembro de 2008, a solenidade noturna do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Boa leitura!

Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas e Se inclina lá do alto a olhar os céus e a terra?" Assim canta Israel num dos seus Salmos (113/112, 5s.), onde exalta simultaneamente a grandeza de Deus e sua benigna proximidade dos homens. Deus habita nas alturas, mas inclina-Se para baixo… Deus é imensamente grande e está incomparavelmente acima de nós. Esta é a primeira experiência do homem. A distância parece infinita. O Criador do universo, Aquele que tudo guia, está muito longe de nós: assim parece ao início. Mas depois vem a experiência surpreendente: Aquele que não é comparável a ninguém, que 'está sentado nas alturas', olha para baixo. Inclina-se para baixo. Ele vê a nós e a mim. Este olhar de Deus para baixo é mais do que um olhar lá das alturas. O olhar de Deus é um agir. O fato de Ele me ver, me olhar, transforma a mim e o mundo ao meu redor. Por isso logo a seguir diz o Salmo: "Levanta o pobre da miséria…" Com o seu olhar para baixo, Ele levanta-me, toma-me benignamente pela mão e ajuda-me, a mim próprio, a subir de baixo para as alturas. 'Deus inclina-Se'. Esta é uma palavra profética; e, na noite de Belém, adquiriu um significado completamente novo. O inclinar-Se de Deus assumiu um realismo inaudito, antes inimaginável. Ele inclina-Se: desce, Ele mesmo, como criança na miséria do curral, símbolo de toda a necessidade e estado de abandono dos homens. Deus desce realmente. Torna-Se criança, colocando-Se na condição de dependência total, própria de um ser humano recém-nascido. O Criador que tudo sustenta nas suas mãos, de Quem todos nós dependemos, faz-Se pequeno e necessitado do amor humano. Deus está no curral. No Antigo Testamento, o templo era considerado quase como o estrado dos pés de Deus; a arca santa, como o lugar onde Ele estava misteriosamente presente no meio dos homens. Deste modo sabia-se que sobre o templo, escondida, estava a nuvem da glória de Deus. Agora, está sobre o curral. Deus está na nuvem da miséria de uma criança sem lugar na hospedaria: que nuvem impenetrável e, no entanto, nuvem da glória! De fato, de que modo poderia aparecer maior e mais pura a sua predileção pelo homem, a sua solicitude por ele? A nuvem do encobrimento, da pobreza da criança totalmente necessitada do amor, é ao mesmo tempo a nuvem da glória. É que nada pode ser mais sublime e maior do que o amor que assim se inclina, desce, se torna dependente. A glória do verdadeiro Deus torna-se visível quando se abrem os nossos olhos do coração diante do curral de Belém.

A narração do Natal feita por São Lucas, que acabamos de ouvir no texto evangélico, conta-nos que Deus levantou um pouco o véu do seu encobrimento primeiro diante de pessoas de condição muito humilde, diante de pessoas que habitualmente eram desprezadas na grande sociedade: diante dos pastores que, nos campos ao redor de Belém, guardavam os animais. Lucas diz-nos que estas pessoas 'velavam'. Nisto podemos ouvir ressoar um motivo central da mensagem de Jesus, na qual volta, repetidamente e com crescente urgência até ao Jardim das Oliveiras, o convite à vigilância, a permanecer acordados para nos darmos conta da vinda do Senhor e estarmos preparados para ela. Por isso, também aqui talvez a palavra signifique algo mais do que o simples estar externamente acordados durante as horas noturnas. Eram pessoas verdadeiramente vigilantes, nas quais estava vivo o sentido de Deus e da sua proximidade; pessoas que estavam à espera de Deus e não se resignavam com o aparente afastamento d'Ele na vida de cada dia. A um coração vigilante pode ser dirigida a mensagem da grande alegria: esta noite nasceu para vós o Salvador. Só o coração vigilante é capaz de crer na mensagem. Só o coração vigilante pode incutir a coragem de pôr-se a caminho para encontrar Deus nas condições de uma criança no curral. Peçamos ao Senhor para que nos ajude, a nós também, a tornarmo-nos pessoas vigilantes.

São Lucas narra-nos ainda que os próprios pastores ficaram 'envolvidos' pela glória de Deus, pela nuvem de luz, encontravam-se dentro do resplendor desta glória. Envolvidos pela nuvem santa ouvem o cântico de louvor dos anjos: 'Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados'. E quem são estes homens por Ele amados senão os pequenos, os vigilantes, aqueles que estão à espera, esperam na bondade de Deus e procuram-No olhando para Ele de longe?

Nos Padres da Igreja, é possível encontrar um comentário surpreendente ao cântico com que os anjos saúdam o Redentor. Até àquele momento – dizem os Padres – os anjos tinham conhecido Deus na grandeza do universo, na lógica e na beleza do cosmos que provêm d'Ele e O refletem. Tinham acolhido por assim dizer o cântico de louvor mudo da criação e tinham-no transformado em música do céu. Mas agora acontecera um fato novo, até mesmo assombroso para eles. Aquele de quem fala o universo, o próprio Deus que tudo sustenta e traz na sua mão, Ele mesmo entrara na história dos homens, tornara-Se um que age e sofre na história. Do jubiloso assombro suscitado por este fato inconcebível, por esta segunda e nova maneira em que Deus Se manifestara – dizem os Padres – nasceu um cântico novo, tendo o Evangelho de Natal conservado uma estrofe para nós: 'Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens'. Talvez se possa dizer, segundo a estrutura da poesia hebraica, que este versículo nas suas duas frases diz fundamentalmente a mesma coisa, mas duma perspectiva diversa. A glória de Deus está no alto dos céus, mas esta sublimidade de Deus encontra-se agora no curral, aquilo que era humilde tornou-se sublime.
A sua glória está sobre a terra, é a glória da humildade e do amor. Mais ainda: a glória de Deus é a paz. Onde está Ele, lá está a paz. Ele está lá onde os homens não querem fazer, de modo autônomo, da terra o paraíso, servindo-se para tal fim da violência. Ele está com as pessoas de coração vigilante; com os humildes e com aqueles que correspondem à sua elevação, à elevação da humildade e do amor. A estes dá a sua paz, para que, por meio deles, entre a paz neste mundo.

O teólogo medieval Guilherme de S. Thierry disse uma vez: Deus viu, a partir de Adão, que a sua grandeza suscitava no homem resistência; que o homem se sente limitado no ser ele próprio e ameaçado na sua liberdade. Portanto Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora – diz-nos aquele Deus que Se fez Menino – já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me.

É com tais pensamentos que, esta noite, nos aproximamos do Menino de Belém, daquele Deus que por nós quis fazer-Se criança. Em cada criança, há o revérbero do Menino de Belém. Cada criança pede o nosso amor. Pensemos, pois, nesta noite de modo particular também naquelas crianças às quais é recusado o amor dos pais; nos meninos da rua que não têm o dom de um lar doméstico; nas crianças que são brutalmente usadas como soldados e feitas instrumentos da violência, em vez de poderem ser portadores da reconciliação e da paz; nas crianças que, através da indústria da pornografia e de todas as outras formas abomináveis de abuso, são feridas até ao fundo da sua alma. O Menino de Belém é um renovado apelo que nos é dirigido para fazermos tudo o que for possível a fim de que acabe a tribulação destas crianças; para fazermos tudo o que for possível a fim de que a luz de Belém toque os corações dos homens.
Somente através da conversão dos corações, somente através de uma mudança no íntimo do homem se pode superar a causa de todo este mal, pode ser vencido o poder do maligno.
Somente se mudarem os homens é que muda o mundo e, para os homens mudarem, precisam da luz que vem de Deus, daquela luz que de modo tão inesperado entrou na nossa noite.

E falando do Menino de Belém, pensemos também na localidade que responde ao nome de Belém; pensemos naquela terra onde Jesus viveu e que Ele amou profundamente. E peçamos para que lá se crie a paz. Que cessem o ódio e a violência. Que desperte a compreensão recíproca, se realize uma abertura dos corações que abra as fronteiras. Que desça a paz que os anjos cantaram naquela noite.

No Salmo 96/95, Israel e, com ele, a Igreja louvam a grandeza de Deus que se manifesta na criação. Todas as criaturas são chamadas a aderir a este cântico de louvor, encontrando-se lá também este convite: 'Alegrem-se as árvores da floresta, diante do Senhor que vem' (12s.). A Igreja lê este Salmo também como uma profecia e simultaneamente uma missão. A vinda de Deus a Belém foi silenciosa. Somente os pastores que velavam foram por uns momentos envolvidos no esplendor luminoso da sua chegada e puderam ouvir uma parte daquele cântico novo que brotara da maravilha e da alegria dos anjos pela vinda de Deus. Esta vinda silenciosa da glória de Deus continua através dos séculos. Onde há fé, onde a sua palavra é anunciada e escutada, Deus reúne os homens e dá-Se a eles no seu Corpo, transforma-os no seu Corpo. Ele 'vem'. E assim desperta o coração dos homens. O cântico novo dos anjos torna-se cântico dos homens que, ao longo de todos os séculos, de forma sempre nova cantam a vinda de Deus como Menino e, a partir do seu íntimo, tornam-se felizes. E as árvores da floresta vão até Ele e exultam. A árvore na Praça de São Pedro fala d'Ele, quer transmitir o seu esplendor e dizer: Sim, Ele veio e as árvores da floresta aclamam-No. As árvores nas cidades e nas casas deveriam ser algo mais do que um costume natalício: indicam Aquele que é a razão da nossa alegria – o próprio Deus que por nós Se fez menino. O cântico de louvor, no mais fundo, fala enfim d'Aquele que é a própria árvore da vida reencontrada. Pela fé n'Ele, recebemos a vida. No sacramento da Eucaristia, dá-Se a nós: dá uma vida que chega até a eternidade. Nesta hora, juntamo-nos ao cântico de louvor da criação e o nosso louvor é ao mesmo tempo uma oração: Sim, Senhor, fazei-nos ver algo do esplendor da vossa glória. E dai a paz à terra. Tornai-nos homens e mulheres da vossa paz. Amém.

Ofício de Natal 2008

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Tema: E o verbo divino se fez carne...

Lema: Ele está no meio de nós!

Saudações a vós, irmãos e irmãs em Cristo Jesus Nosso Senhor! Hoje, o verbo divino se fez carne para habitar entre nós e fazer da nossa vida uma verdadeira harmonia com o amor e a paz que Deus nos concede. Hoje, nasce a esperança para o nosso mundo. Do ventre da Santíssima Virgem Maria, vem ao mundo o Salvador, aquele que vem para reinar pelos séculos dos séculos. Glórias sejam dadas a Deus porque a esperança se nos é manifestada hoje de maneira mais profunda e concreta através do nascimento de Jesus Cristo.

Saudações especiais sejam dadas a Vossa Santidade o Papa Bento XVI que, de maneira maravilhosa, celebrou a famosa 'Missa do Galo' na madrugada dessa quinta-feira natalina. Foi uma celebração muito bela e espero que possa acompanhar mais vezes as missas celebradas pelo Santo Papa, sucessor de Pedro, e guia da Igreja. Saudações sejam dadas também ao nosso querido Monsenhor Jonas Abib, ao professor Felipe Aquino, ao Padre Paulo Ricardo, Padre Roberto Lettieri, Padre Fernando César e demais padres de todo o mundo. Saudações ao Bispo da Diocese de Ituiutaba, Francisco Carlos. Saudações também a todos os bispos, diáconos e fiéis do mundo inteiro: minhas profundas admirações, acompanhadas, claro de um sugestivo voto de 'Feliz Natal' e 'Feliz Ano novo', desde já.

Hoje é um dia muito especial para todos nós, cristãos, pois é celebrado o Natal de Nosso Senhor, ou, como muitos preferem chamar, o seu glorioso nascimento. Deus se nos é revelado na 2ª pessoa da Trindade Santa, o Filho. Somos chamados hoje a celebrar esse mistério de maneira profunda, adorando o Nosso Rei assim como o fizeram os reis magos e oferecendo a eles, não só ouro, incenso e mirra, mas, o nosso coração.

A virgem conceberá do Espírito Santo

A 1ª leitura do 4º domingo do advento anunciava:

"Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará 'Deus Conosco'." (Is 7,14).

Na celebração da véspera do Natal, considerada como a noite do Natal, celebramos esse nascimento de Jesus e vimos que a profecia de Isaías se cumpria. Vejam que absurdo o que nos diz a Bíblia! 'Uma virgem dará à luz um filho...'

Pelo lado humano, podemos considerar isso impossível. Uma virgem conceber a luz a um filho, sendo que ela não conheceu homem algum! Se isso acontecesse hoje em nossa sociedade, por exemplo, considerar-se-ia um escândalo. Como pode uma virgem conceber um filho? Mas Deus nos mostra novamente que é o Senhor das coisas impressionantes, das coisas incríveis. Ele escolhe uma virgem simples da cidade de Nazaré para ser a mãe do Salvador. Ele não escolheu nenhum palácio para que seu filho nascesse, nenhum berço de ouro para que ele pudesse dormir. Ele não escolheu nenhuma Cleópatra para ser a mãe de Jesus. Ao contrário, ele escolheu uma simples e humilde jovem para mostrar que 'o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes' (1Cor 1,27) e 'é na fraqueza que se revela totalmente a minha força' (2Cor 12,9).

E, assim, voltamos à leitura da anunciação do anjo Gabriel a Maria, um dos mais belos textos da Sagrada Escritura:

""No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: 'Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.' Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação."

"O anjo disse-lhe: 'Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás a luz a um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.' Maria perguntou ao anjo: 'Como se fará isso, pois não conheço homem?' Respondeu-lhe o anjo: 'O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível.' Então disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.' E o anjo afastou-se dela." (Lc 1,26-38).

Quando o anjo Gabriel disse a Maria que ela teria um filho, ela ficou surpresa, assim como nós ficaríamos caso soubéssemos que uma virgem estivesse grávida. Mas, nesse mesmo texto, assim como em Mateus 26,19, Gabriel revela-nos: 'A Deus nenhuma coisa é impossível'. Ela então, com uma atitude de prontidão e humildade, aceitou os desígnios do Senhor em sua vida, e, como se estivesse perguntando: 'Quem sou eu para discordar das palavras de Deus?', respondeu: 'Eis aqui a serva do Senhor.'

E assim se fez.

Glória a Deus no mais alto dos céus

"Naqueles tempos, apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com sua esposa Maria, que estava grávida."

"Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria."

"Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam o rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: 'Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura.' E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: 'Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina).'" (Lc 2,1-14).

O Evangelho da missa de ontem, a 'missa do Galo', nos revelava qual era o significado do nascimento de Jesus na vida de cada um de nós. O povo esperava que essa promessa – a vinda do Messias – se cumprisse, assim como nós esperamos a volta definitiva de Jesus nos dias de hoje. Naquele tempo, o povo já estava praticamente perdendo as esperanças dessa vinda e já nem acreditavam mais que ele pudesse vir.

Mas ele veio, porque Deus é fiel às suas promessas. E é até interessante analisar esse contexto: as promessas de Deus. Primeiro, Deus se fez presente através de alguns sinais, demonstrando a 1ª pessoa da Trindade, depois, Jesus nasceu, 'o verbo divino se fez carne' (Jo 1,14), e é esse mistério que contemplamos hoje. Posteriormente, outra promessa de Deus se cumpria: a vinda do Espírito Santo. Dessa maneira, Deus se fazia presente de maneira completa na vida dos cristãos e é isso o que temos que celebrar em nossa vida.

A vinda do Messias significa para nós muito mais do que um simples natal, uma fútil troca de presentes ou uma lenda do Papai Noel. O Natal vai além disso, porque celebra um mistério essencial e importantíssimo da vida cristã. É através da encarnação do verbo divino que concretizamos a esperança em nossa vida. Tudo o que ensina o Antigo Testamento é a preparação para a vinda de Jesus e é nesse ato de fé que baseamos nossa ideologia.

E é nesse sentido de esperança que o nascimento de Jesus acontece. O cântico que o exército celeste canta em favor da chegada do Cristo é de exultação: 'Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, por ele amados.' Somos também nós chamados a cantar com os anjos a glória da vinda magnífica de Jesus à terra. Ele está no meio de nós! Devemos nós, pois, cantar essa vitória em nossa vida e proclamar essa realidade no nosso coração. Se Ele está verdadeiramente no nosso meio, é preciso reverenciá-lo, assim como fizeram seus discípulos e seus admiradores quando Jesus entrou em Jerusalém (Mt 21,1-6; Mc 11,1-11; Jo 12,12-19) e quando os reis magos vieram adorá-lo, ainda quando recém-nascido (Mt 2,1-12).

O nascimento de Jesus é motivo de alegria para todos nós. Ela é a renovação da nossa esperança em Deus. Por isso, é preciso clamar: "Hosana nas alturas! Bendito aquele que vem em nome do Senhor!" (Lc 19,38). É preciso adorá-lo e dar graças a Deus porque teve compaixão de seu povo e enviou seu filho unigênito para nossa salvação.

Não se pode esquecer nessa data, contudo, que quem trouxe Jesus ao mundo foi Maria, humanamente falando. Se celebramos o nascimento de Cristo, mas nos esquecemos da importância de Nossa Senhora, então, não comemoramos o verdadeiro natal. Assim como cantamos "Glória a Deus" por Jesus, devemos também entoar 'Glória a Deus' por Maria que, como mulher obediente à Palavra, aceitou que as promessas do Senhor se realizassem em sua vida. É preciso proclamá-la bem-aventurada porque ela é nossa mãe! Santa e virgem Maria, rogai por nós!

Nesse Natal, que nós possamos, pois, reacender a chama de Deus que há em nós, levando Jesus por onde passarmos e nos comprometermos a mudar de vida agora que Cristo se faz presente no meio de todos nós.

Dominus Vobiscum,

Everth.