domingo, 4 de janeiro de 2009

Em defesa da Bíblia e da fé XV

Ainda explicando a afirmação que fora da Igreja não há salvação:

Catecismo da Igreja Católica, 846-848:

Como entender esta afirmação, com freqüência repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de maneira positiva, ela significa que toda salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo:

Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, [o Concílio] ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único mediador e caminho da salvação é Cristo, que se nos torna presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ele, porém, inculcando com palavras expressas a necessidade da fé e do batismo, ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como que por uma porta. Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo, como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar, ou então perseverar.

Esta afirmação não visa àqueles que, sem culpa, desconhecem Cristo e a sua Igreja:

Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna.

'Deus pode por caminhos dele conhecidos levar à fé todos os homens que sem culpa própria ignoram o Evangelho. Pois 'sem a fé é impossível agradar-lhe' (Hb 11,6). Mesmo assim, cabe à Igreja o dever e também o direito sagrado de evangelizar' todos os homens."

Quando o Catecismo nos ensina que "toda a salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo", devemos compreender que todos aqueles que vierem a ser salvos o serão por Cristo, mesmo que não o saibam, já que não há salvação se não por Cristo e por sua Igreja. O Catecismo ensina ainda que, mesmo aqueles que "sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame de consciência, podem conseguir a salvação eterna". Em outras palavras, não existe salvação fora da Igreja, sendo que estão dentro da Igreja não somente aqueles que professam integralmente a fé católica. Para compreendermos melhor esse ponto, leiamos o que ensina o Catecismo em seu parágrafo 838:

'Por muitos títulos a Igreja sabe-se ligada aos batizados que são ornados com o nome cristão, mas não professam na íntegra a fé ou não guardam a unidade da comunhão sob o Sucessor de Pedro'. 'Aqueles que crêem em Cristo e foram devidamente batizados estão constituídos numa certa comunhão, embora não perfeita, com a Igreja católica'."

Considerando que os cristãos não-católicos estão em uma certa comunhão, ainda que imperfeita, com a Igreja, concluímos que cristãos não-católicos podem ser salvos, visto que não estão fora da Igreja, mas dentro dela, isto é, em comunhão com ela, ainda que de forma imperfeita. [ou seja, para que possamos ser salvos, o batismo é indispensável, pois, incorpora-nos à vida cristã, ou seja, à Igreja]

Ademais, se, como vimos, podem conseguir a salvação eterna aqueles que "sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame de consciência", ou seja, se não-cristãos podem ser salvos (desde que procurem agir de acordo com a vontade de Deus inscrita na consciência de todo ser humano), então devemos concluir que não-cristãos também podem fazer parte da Igreja, já que não há salvação fora da Igreja e que não-cristãos podem ser salvos. Trocando em miúdos: sejam cristãos católicos, cristãos não-católicos ou não-cristãos, ninguém pode ser salvo se não for por Cristo e por sua Igreja, sendo que a comunhão com a Igreja pode ser mais ou menos perfeita, na medida em que a pessoa esteja mais ou menos integrada à Igreja. [para ser salvo, é preciso estar em comunhão com a Igreja]

[Agora um alerta:] É importante salientar que, embora a salvação seja possível àqueles que não estão em plena comunhão com a Igreja, essa possibilidade constitui uma via extraordinária de salvação, e por isso muito mais arriscada do que a via ordinária de salvação que é a plena comunhão com a Igreja. Com efeito, aqueles que estão plenamente integrados à Igreja Católica têm ao seu dispor todos os meios de graça, isto é, os sacramentos instituídos por Cristo para a nossa salvação. Já os que não estão em plena comunhão com a Igreja não têm acesso a esses sacramentos, e por isso a salvação para tais pessoas torna-se mais difícil, embora não impossível.

GRILLO, Marcos Monteiro. Apostolado Veritatis Splendor: LEITOR PERGUNTA SOBRE O AXIOMA "FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO". Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5563. Desde 31/12/2008.

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