Amanhã é a Solenidade do Batismo do Senhor Jesus, festividade muito especial na vida do Evangelho cristão. Enquanto o domingo não chega, vamos partir pra apologética: o trecho que segue é parte do livro 'Perguntas e Respostas sobre a fé', do nosso irmão Padre Alberto Luiz Gambarini, páginas 11,12 e 13, relativo ao batismo de crianças, questão que gera polêmica entre os irmãos da nossa Igreja e da igreja protestante. Boa leitura!
Os 'crentes' criticam nosso batismo, pois Cristo foi batizado já adulto. Como entender isso?
Quanto a essa questão do batismo de Jesus, é necessário um exame cuidadoso sobre o seu sentido. E por quê? O batismo de João não era o mesmo que nós recebemos. O batismo de João era somente um batismo de penitência, não era uma realidade definitiva. Mt 3,11: "Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá após mim é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar os seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo".
Jesus submeteu-se ao batismo de João, não porque necessitasse ser batizado, mas para revelar o sentido da sua missão. Como pelo batismo de João as pessoas reconheciam ser pecadoras, Jesus pelo batismo revelou que é aquele que veio tirar os pecados dos homens. Jo 1,29-33: "No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: 'Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É este de quem eu disse: depois de mim virá um homem, que me é superior, porque existe antes de mim. Eu não o conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que ele se torne conhecido em Israel. Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo'".
E quanto ao fato de Jesus ter sido batizado no rio?
Como já vimos, o batismo de João não é o batismo cristão. Jesus não teve preocupação em falar sobre a forma do batismo, Ele mandou batizar. Mt 28,19: "Ide, pois, ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Mc 16,16: "Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado".
A Igreja primitiva também não se preocupava com esta questão, pois o importante era o batismo e o que ele significava. Por exemplo, vejamos o que ensina o Didaqué, da instrução sobre o batismo: "No que diz respeito ao batismo, batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo em água corrente. Se não tens água corrente, batiza em outra água; se não puderes em água fria, faze-o em água quente. Na falta de uma e outra, derrama três vezes água sobre a cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".
Observação: O Didaqué é o mais antigo manual de religião cristã já conhecido, mostra como os primeiros cristãos praticavam e ensinavam a fé cristã.
E o batismo de crianças, como justificá-lo?
Temos de partir do ensino de São Paulo, onde ele ensina que o BATISMO CRISTÃO é o paralelo da circuncisão. Col 2,11: "Nele também fostes circuncidados com circuncisão não feita por mão de homem, mas com a circuncisão de Cristo, que consiste no despojamento de nosso ser carnal".
E a circuncisão dos judeus era feita nas crianças.
Repetidas vezes o Novo Testamento nos apresenta famílias inteiras sendo batizadas, sempre existem crianças em uma família. At 16,33b: "...imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família".
Outros textos: Atos 10,24-48; Atos 16; 15.
Ensino dos primeiros cristãos:
Orígenes (185 – 255 depois de Cristo) "A Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar o batismo também aos recém-nascidos."
São Cipriano: Bispo na África (258 depois de Cristo) "Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças."
Santo Agostinho: Bispo "Isto (o batismo de crianças) a Igreja sempre teve, sempre tem conservado e conservará até o fim."
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