domingo, 11 de janeiro de 2009

A necessidade do amor

Saudações a vós irmãos e irmãs, em Cristo Jesus Nosso Senhor! A graça e a paz da Santíssima Trindade e o amor de Maria Santíssima estejam sempre conosco, e que nós possamos, ao usufruir desses bens divinos, obedecer a nossa Santa Igreja, nossa queridíssima mãe, pois, como já lembrava São Cipriano, 'não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por mãe na terra'. A nossa humildade de servos seja ponto de referência entre nossa santidade e todo o Magistério da Igreja, constituído atualmente no Santo Concílio Vaticano II, que, segundo o Papa Bento XVI, 'surgiu do coração de Deus, da sua vontade salvífica'. E que nós possamos ser sempre iluminados do Espírito Santo para entender o que nos propõe a Igreja em seus riquíssimos ensinamentos.

Caríssimos, amai-vos uns aos outros como Jesus nos amou e mandou que amássemos. O amor não é um simples ato sexual, resumido a um prazer venéreo e sujo, mas, uma atitude de caridade, fruto da nossa fé solidificada no alicerce cristão, que é a Igreja. Essa definição de amor nos traz à realidade a renúncia de si mesmo pela necessidade do outro. Dessa maneira, o que o Sumo Pontífice Bento XVI explicou na sua Encíclica Deus Caritas Est, tornar-se-á a verdadeira base do amor que professamos no Evangelho e, com certeza, nossa sociedade desfrutará de um futuro mais próspero e feliz na vida em Deus.

Somos filhos muito amados d'Aquele que nos salvou por sua própria morte. O amor não é um gesto isolado e sem sentido; mas uma resposta a esse amor que Jesus nos dá, a esse sentimento de salvação que ele nos concede. Cristo nos ama, e nós, cheios desse amor de Pai, somos chamados a amar nossos irmãos, porque eles são imagem e semelhança de Deus e é amando a eles que mostramos que verdadeiramente amamos a Deus. Quem não ama, não tem Deus, porque Deus é amor, já lembrava São João.

Hoje, à luz dessa necessidade completa de amar, vamos meditar a Palavra de Deus, que nesse momento, nos convida a amar a todos, sem distinção, pois é dessa maneira que Deus ama a seus filhos.

"Então Pedro tomou a palavra e disse: 'Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, mas em toda a nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo. Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos. Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judéia, depois de ter começado na Galiléia, após o batismo que João pregou. Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele" (At 10,34-38).

Amados irmãos, o que São Pedro, a rocha em que Jesus confiou a sua Igreja, declara hoje, na segunda leitura desse domingo, o qual celebramos o batismo de Nosso Senhor, explicita a cada um de nós o que é o amor. Pode até parecer que não vejamos isso, mas ele é bem claro quanto a suas palavras: o amor é não fazer distinção de pessoas. Nesse sentido, ele complementa essa definição com um 'porém': todos os que obedecem a Deus agradam a Ele. Aqui ele faz uma diferença bem clara entre 'amar' e 'agradar'.

E por quê? Porque nem todas as pessoas que amamos agradam a nós e esse o contexto do amor que precisamos entender: amamos a todos, sem fazer nenhuma distinção, embora nem todas as pessoas nos agradem. A sociedade em que vivemos está esquecendo isso de tal forma que chegamos a desprezar o ser humano e a desonrar o nosso irmão que não é tão agradável. O Evangelho de hoje quer nos lembrar que o amor não é uma seleção, mas uma necessidade que o próprio Deus nos ensina a concretizar em nossa vida.

Ainda no meu livro, que com a graça de Deus vou lançar esse ano, 'Fé, caridade e esperança – o Convite de Jesus', eu lembrava que estamos na geração Big Brother, onde amamos as pessoas pelo que elas têm para nos dar, e quando elas não mais nos agradam, entramos num 'confessionário' e a eliminamos de nossa vida, esquecendo as palavras de São Pedro no Evangelho de hoje. Por isso foi tão oportuno o sermão dele hoje: Deus é o Senhor de todos!

Quando Pedro diz todos, ele quer falar que Deus é o Senhor do pobre, do indigente, do católico, do protestante, do gordo, do magro, do loiro, do ateu, do homossexual, do aleijado, do deficiente, do necessitado, do espírita, do pagão, do sunita e do desobediente. Ele ama a todos esses, embora nem todos agradem a ele com suas atitudes. E nós, como cristãos, queremos bem mais que ser amados por Deus, queremos também agradá-lo, já que não queremos ficar fora do seu plano de salvação. E aqui o amor retoma seu princípio fundamental: amar não é dar tudo o que o outro quer, amar é dizer NÃO, porque o amor de Deus é universal, é católico, mas Deus não ama só os que lhe agradam.

Assim nós devemos amar a todos os que não agradam a Deus e a nós. Num mundo onde os valores cristãos estão totalmente esquecidos e o sentimento de vingança invade o coração de tanta gente, somos nós, os chamados a brilhar, a ostentar a palavra da vida, a amar o nosso irmão não por aquilo que é, nem por aquilo que ele merece, mas porque temos a consciência de que, amando o nosso semelhante, estamos chegando sempre mais perto de Deus e mostrando que estamos realmente batalhando por essa santidade. Que Deus nos ensine a amar a todos, sem fazer nenhuma distinção, para que assim mostremos que a necessidade de amar se faz presente nos ambientes mais pagãos.

Graça e paz.

0 comentários: