Disponível na íntegra em Voltai Israel >> Ecclesia Una
Saudações a vós, irmãos e irmãs, em Cristo Jesus Nosso Senhor! Nesse tempo quaresmal em que vivemos, que a luz do Espírito Santo seja nossa força para persistir num caminho de justiça e perseverança, unidos ao Pai Celestial, aquele que nos ama de tal maneira que enviou-nos seu Filho Único para a salvação de toda a humanidade. Que possamos contemplar a face de Deus em nossas atitudes, por mais difícil que isso seja, já que somos pecadores. Nossa Senhora, Mãe Nossa ajudar-nos-á a praticar o bem e vamos, enfim, achegarmo-nos junto a Deus.
Vivemos no contexto da 3ª semana da Quaresma e hoje é dia 20 de março de 2009, sexta-feira. A leitura da Missa de hoje nos convida a refletir um pouco mais da nossa caminhada junto a Jesus rumo à nossa meta maior, que é o céu. Somos convidados a praticar em nossa vida a santidade, a justiça e a paz, lembrando sempre as palavras do profeta Isaías, lema da Campanha da Fraternidade desse ano: A paz é fruto da justiça.
Volta, Israel, para o Senhor teu Deus, pois tropeçaste em teu próprio pecado. Trazei convosco palavras, voltai-vos para o Senhor (…). Se alguém é sábio, entenda essas coisas; se é inteligente, que as venha a conhecer, pois os caminhos do Senhor são retos, os justos neles caminham, os maus neles tropeçam. (Oséias 14,2-3.10)
A primeira leitura do dia de hoje é para nós claríssima: ela vem nos convidar a praticar a Palavra de Deus, que é o que tanto falta em nós para que alcancemos aquela perfeição que Deus tanto projetou para nós. Mais do que isso: o profeta Oséias fala de conversão, tanto é verdade que a Bíblia da CNBB intitula esse trecho da Palavra (cf. Os 14,2-9) de Conversão. Isso é, nessa Quaresma, motivo de regozijo e alegria porque a leitura está de acordo com o que precisamos viver nesse tempo e podemos, desse modo, aplicar o que Deus quer para nós em nossa vida.
Voltai, Israel, (…), pois tropeçaste em teu próprio pecado. Se Deus está dizendo para Israel voltar, quer dizer então que Israel já fora fiel a Deus, mas, como pecou, agora havia se afastado dEle. Isso quer dizer que (1) o pecado nos afasta de Deus, (2) Deus sempre quer que nos reconciliemos com Ele e (3) enfim, quer que levantemos de nossa queda. Isso é importante de se observar: a Bíblia da CNBB, nesse trecho, fala de tropeço. Quando tropeçamos, normalmente caímos. Logo, o “Voltai, Israel” nos leva a refletir que Deus quer nos ver sempre de pé, perseverantes, firmes em seu temor. Para isso, então, é preciso caminhar nos caminhos do Senhor, que são dotados de retidão.
Mas, isso, caríssimos irmãos, é um processo. Eclesiástico, no capítulo 21, vem propor para nós o mesmo que Oséias, só que em palavras diferentes: “Filho, pecaste? Não o faças mais. Mas ora pelas tuas faltas pesadas, para que te sejam perdoadas“ (Eclo 21,1). Isso quer dizer que para voltarmos para Deus, precisamos, primeiramente, arrepender-nos. Isso é um sinal de que vamos nos esforçar para não mais cometer pecados num futuro próximo e é, além disso, prova de que agimos pela fraqueza da carne, não pela nossa conveniência. Depois disso, é preciso orar pelas faltas passadas, para que, dessa maneira, façamos nossa confissão com Deus e possamos nos aproximar do Todo-Poderoso de maneira livre e mais perfeita, já, que, purificados pelo seu amor, podemos demonstrar sinal de fraternidade e de humildade. Depois desses processos completados, aí sim podemos dizer: “Nós retribuiremos com o fruto dos lábios!” (Os 14,3), pois, estamos mais confiantes no amor de Deus e na sua paz, que cura.
Isso não quer dizer que, para que sejamos curados, precisamos de todo esse processo… não. Tudo isso tem a finalidade de produzir em nós força de vontade, confiança, rejubilo e, principalmente, temor a Deus.
O Evangelho de hoje é uma confirmação da 1ª leitura. Àquele que respondeu a Jesus com sinceridade: “É como disseste” (Mc 12,32), recebeu dele palavras que qualquer um de nós queria receber de Jesus Cristo: “Tu não estás longe do Reino de Deus” (Mc 12,34). Isso é maravilhoso! Estar perto do Reino de Deus é uma honra, cuja posse só tomam aquelas pessoas que decidirem formar em suas vidas um coração para amar, para perdoar e sentir, para chorar e sorrir, um coração que realmente luta por esse amor que Jesus nos deu e ensina a cada dia a praticarmos. Isso significa ação. Por mais que falemos e digamos para Jesus como o escriba que amar a Deus excede todos os holocaustos e sacrifícios, no mundo de hoje, isso não é suficiente, pois, a necessidade da ação cristã se faz presente em um mundo tão cheio de ódio, rancor, vingança e desamor. E é importante saber que não somos nós que agimos, mas o Espírito Santo de Deus que está em nós. Se é o Espírito Santo, então, precisamos deixá-lo entrar em nossa vida, a etapa mais difícil de nossa conversão, porque deixar o Espírito Santo entrar em nosso coração é algo totalmente incompatível com o pecado, assim, é preciso pôr em prática o que Deus dizia ao povo de Israel naquele tempo:
Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo (Lv 19,2).
Difícil? Sem dúvida é e sabemos disso. O segredo Jesus está nos ensinando: “Vigiai e orai para que não caiais em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14,38). Podemos até ser religiosos, cristãos, católicos, bonitinhos, maravilha… Mas, a carne é fraca e isso é da natureza humana. É preciso, então, orar sem cessar, pois, só dessa maneira vamos conseguir enfrentar o pecado que tenta agir em nós. Que Deus nos ajude a praticar a conversão nessa semana de reflexão da Quaresma e que São José interceda por nossas virtudes junto a Deus, para que, dessa maneira, possamos cumprir os desígnios do Senhor em nossa caminhada.
Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo!
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