
“...não vou desviar meu olhar de Ti, Senhor”. É assim que canta Márcio Todeschini, na música “Um lugar”. Esse ato tem, no contexto da vida cristã, um significado muito especial e que revela o verdadeiro sentido da nossa fé. A expressão não desviar, nesse caso, é mais do que simplesmente olhar para alguém ou algo fixamente; é sinônimo de seguir o exemplo de. O cristão tem essa missão, esse objetivo. Mediante a religião que ele segue, a pessoa divina que ele segue, a palavra “cristão” já deriva da palavra Cristo, mostrando que todos nós, seus seguidores, devemos ser imitadores de Jesus.
Imitai Cristo mesmo, que era totalmente submetido à vontade do Pai; imitai Jesus na sua oração, à qual Ele dedicava longas horas; imitai Jesus no seu amor ao homem. (João Paulo II, aos peregrinos de 10 de junho)
A exortação acima, dada pelo Papa João Paulo II, vem nos mostrar em que imitarmos Jesus. E ele cita três aspectos importantes: a obediência, a oração e o amor. São três virtudes que, em nossa vida, devemos pôr em prática para de fato assemelharmo-nos a Jesus Cristo. Primeiramente, a obediência, que levou não somente Jesus como exemplo, mas muitos outros personagens bíblicos, como Moisés, Davi, Samuel, Judas Macabeu, Isaías, Jeremias; sem falar de Maria, a “serva do Senhor”: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra” (Lc 1,38). A obediência que o ser humano deve a Deus consiste nisso: em abandonar-se de si para dar lugar a Deus. É um exercício em que não fazemos as nossas vontades, mas cumprimos a vontade de Deus.
Diz São Paulo aos gálatas: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (2,20). Isso é sinal de submissão! Não somos nós que vivemos, não somos nós que ‘ditamos as regras’. Deus fala e nós, como servos, obedecemos à sua vontade. E é importante inclusive refletir o porque dessa subordinação: só seremos felizes de verdade quando darmos lugar a Deus em nossa vida. É preciso despojar-se de si e vestir-se de Deus: “Revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4,24).
A oração é a apresentação de súplicas e agradecimentos a Deus. É algo essencial para que todo cristão viva bem sua fé. É um exercício que não deixa que a mesma ‘caia em extinção’. “Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos” (Ef 6,18). Jesus diversas vezes aconselhou-nos sobre essa necessidade e advertia-nos que, caso não nos mantivéssemos em constante oração, cairíamos em tentação. E, se começarmos a orar frequentemente, notaremos uma grande diferença em nossa vida espiritual. A oração nos dá mais força para suportarmos as dificuldades e as provações. Não existe outro meio para vencermos as tribulações.
Graça e paz.“És meu tudo, és minha força, tu tens o poder de ressuscitar dentro de mim aquele primeiro amor; és meu tudo, sim eu te amo, não posso me esquecer, não vou desviar meu olhar de Ti, Senhor”.
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