quarta-feira, 27 de maio de 2009

Não vou desviar...

http://www.fraternidaderosacruz.org/jesus_getsemani.jpg

...não vou desviar meu olhar de Ti, Senhor”. É assim que canta Márcio Todeschini, na música “Um lugar”. Esse ato tem, no contexto da vida cristã, um significado muito especial e que revela o verdadeiro sentido da nossa fé. A expressão não desviar, nesse caso, é mais do que simplesmente olhar para alguém ou algo fixamente; é sinônimo de seguir o exemplo de. O cristão tem essa missão, esse objetivo. Mediante a religião que ele segue, a pessoa divina que ele segue, a palavra “cristão” já deriva da palavra Cristo, mostrando que todos nós, seus seguidores, devemos ser imitadores de Jesus.

Imitai Cristo mesmo, que era totalmente submetido à vontade do Pai; imitai Jesus na sua oração, à qual Ele dedicava longas horas; imitai Jesus no seu amor ao homem. (João Paulo II, aos peregrinos de 10 de junho)


A exortação acima, dada pelo Papa João Paulo II, vem nos mostrar em que imitarmos Jesus. E ele cita três aspectos importantes: a obediência, a oração e o amor. São três virtudes que, em nossa vida, devemos pôr em prática para de fato assemelharmo-nos a Jesus Cristo. Primeiramente, a obediência, que levou não somente Jesus como exemplo, mas muitos outros personagens bíblicos, como Moisés, Davi, Samuel, Judas Macabeu, Isaías, Jeremias; sem falar de Maria, a “serva do Senhor”: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra” (Lc 1,38). A obediência que o ser humano deve a Deus consiste nisso: em abandonar-se de si para dar lugar a Deus. É um exercício em que não fazemos as nossas vontades, mas cumprimos a vontade de Deus.

Diz São Paulo aos gálatas: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (2,20). Isso é sinal de submissão! Não somos nós que vivemos, não somos nós que ‘ditamos as regras’. Deus fala e nós, como servos, obedecemos à sua vontade. E é importante inclusive refletir o porque dessa subordinação: só seremos felizes de verdade quando darmos lugar a Deus em nossa vida. É preciso despojar-se de si e vestir-se de Deus: “Revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4,24).

Quando se fala de oração, lembramos novamente, a priori, de Maria, mãe de Jesus. Depois da ressurreição de seu filho, a Santa Virgem mostra que não ‘emprestou sua barriga’ para o nascimento de Jesus, mas doou-se completamente para a vontade de Deus. Essa conclusão, reflexo da sua obediência, agora permanece unida à oração: “Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus” (At 1,14). Pode-se dizer que Jesus foi um reflexo muito grande de sua mãe. No horto das oliveiras, orou incessantemente (cf. Jo 17), mostrando a nós a importância de rezarmos e implorarmos a misericórdia de Deus especialmente nos momentos de angústia.

A oração é a apresentação de súplicas e agradecimentos a Deus. É algo essencial para que todo cristão viva bem sua fé. É um exercício que não deixa que a mesma ‘caia em extinção’. “Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos” (Ef 6,18). Jesus diversas vezes aconselhou-nos sobre essa necessidade e advertia-nos que, caso não nos mantivéssemos em constante oração, cairíamos em tentação. E, se começarmos a orar frequentemente, notaremos uma grande diferença em nossa vida espiritual. A oração nos dá mais força para suportarmos as dificuldades e as provações. Não existe outro meio para vencermos as tribulações.

E quando se fala de amor, não existe nem palavras para expressar quão grande é o amor de Cristo por cada um de nós, um amor capaz de doar-se. E é interessante verificar essa relação tanto de verticalidade e horizontalidade. Jesus se doava não somente a Deus, mas também aos homens, mesmo que esses fossem pecadores. Jesus nos amou não porque merecíamos, nem porque éramos muito bons. Pelo contrário, éramos pecadores! Mas, em Cristo, SOMOS MAIS QUE VENCEDORES! Ele nos amou para que pudéssemos desfrutar da salvação que ele quer conceder a cada um de nós.Assim como Cristo nos amou, devemos amar-nos uns aos outros. E é esse o convite mais difícil de todo o cristianismo. E por quê? Simplesmente porque Jesus amou-nos entregando-se numa cruz. Isso é fácil, é moleza? Não, mas é a missão que o cristão deve ter projetada. E “amar na cruz” não significa ser crucificado literalmente e beber do cálice amargo do sofrimento, assim como Jesus sofreu. Amar na cruz significa aceitar o outro da maneira que ele é, renunciar às nossas próprias vontades, amar na dificuldade. É isso! É esse o Calvário que o cristão tem de enfrentar diariamente em sua caminhada.Assim como Maria, é momento de proclamar que “a Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1,37). Obedecer à Deus, orar sempre, amar sem cessar são atitudes que, apesar de difíceis, constroem uma verdadeira felicidade, solidificada na rocha da salvação. Sejamos imitadores de Jesus.

És meu tudo, és minha força, tu tens o poder de ressuscitar dentro de mim aquele primeiro amor; és meu tudo, sim eu te amo, não posso me esquecer, não vou desviar meu olhar de Ti, Senhor”.


Graça e paz.

0 comentários: