domingo, 28 de junho de 2009

Sacerdócio e pedofilia

O Papa Bento XVI iniciou no dia de hoje o ano Sacerdotal, em celebração à memória de 150 anos de São João Maria Vianney, o Santo Cura D’Ars. E por que seria justo ele o escolhido para abrir esse ano dedicado ao sacerdócio e aos sacerdotes? Especialmente pelo seu estilo de vida, modelo para todos os sacerdotes do mundo inteiro. Humildade, obediência, castidade. Os votos do sacerdócio por ele foram fielmente cumpridos, aponta o Santo Papa na Carta de proclamação do ano sacerdotal.

A necessidade que a Igreja tinha de um ano sacerdotal era muito grande. O Papa fez uma bela escolha. O mundo de hoje, devido aos casos de sacerdotes corruptos que os noticiários apresentam, criou uma visão totalmente errada do padre. Lamenta Bento XVI: “Existem também situações, nunca suficientemente deploradas, em que é a própria Igreja a sofrer pela infidelidade de alguns dos seus ministros. Daí advém então para o mundo motivo de escândalo e de repulsa”. São esses os sentimentos que muitas vezes as pessoas têm dos sacerdotes. A Igreja, por meio do ano sacerdotal, quer tirar essa visão deturpada que as pessoas têm do sacerdócio. E, com a graça de Deus, conseguirá. O Sagrado Coração de Jesus, celebrado amanhã pela Igreja Universal, ajudará a Igreja nesse difícil caminho em busca da santificação das almas sacerdotais.

Quando se fala do sacerdócio hoje, a visão que se tem não é mais a mesma de antigamente. Não devemos pôr a culpa dessa “mudança ideológica” somente no fato da paganização constante que a nossa sociedade vem vivendo. Não. A ferida que o sentimento que se tem contra os ungidos de Deus provoca é muito maior e é culpa também dos próprios sacerdotes. E não é só em nosso século atual que vemos a sujeira de algumas almas sacerdotais. Santa Catarina de Sena, que viveu no século XIV, por meio de revelações divinas que recebia, denunciava a impureza e a ganância que muitos padres cultivavam. O próprio Gil Vicente, escritor de O Auto da Barca do Inferno, criticava de maneira desordenada o clero de seu tempo. Sim, tratam-se de críticas com intenções diferentes, mas que necessitam sempre serem analisadas.

No século presente, o grande problema que se vive no que diz respeito à ferida da dignidade das almas sacerdotais está relacionado à pedofilia. Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que a mídia aumenta muito o que se fala sobre a Igreja e a pedofilia. As pessoas que não tem uma estrutura intelectual aguçada – e que não podem ser ignoradas por representar uma grande parcela da sociedade – vêem o que se fala na mídia e já pensam somente que existe um grande número de padres pedófilos. Não deixa de ser verdade, mas também é uma omissão com outra realidade da Igreja. Quantos padres vivem o sacerdócio de maneira digna, correta, casta e pura? Disso a mídia não fala porque é mais cômodo a ela mostrar os erros que os filhos da Igreja – e não a Igreja, em si, corpo de Cristo, sem mácula, sem mancha – praticam do que mostrar, por exemplo, padres como São Pio de Pietrelcina, Mons. Lefebvre, São Cura D’Ars… Afinal, falar do que não se conhece muito não adianta nada, não é mesmo?

Além disso, quando se fala de pedofilia, é importante deixar clara a doutrina moral da Igreja sobre o assunto. A Igreja, obviamente, é contra a pedofilia e, pelo menos quando ciente dos casos de sacerdotes que praticam tal infâmia, pune-os devidamente. O Santo Papa Bento XVI, por diversas ocasiões, já deixou claro o quanto a Igreja, na sua lei e na sua doutrina, condena o pecado e pune o pecador. As feridas que a pedofilia causa no seio da Igreja e na humanidade são tremendas, quase que irreparáveis, mas isso não é sinal de revolta contra a Igreja, até porque os erros individuais de membros da Igreja nunca podem ser motivo para o abandono da Igreja. Os membros da Igreja, enquanto seres humanos, pecadores, erram. No entanto, isso não interfere de modo algum na santidade da Igreja. Tanto é que, ressalta o Catecismo da Igreja, a relação de influência não é vertical para cima, mas para baixo. Quer dizer que os pecados dos membros da Igreja não interferem na santidade do Corpo de Cristo. Pelo contrário, é Jesus quem santifica os membros da Igreja (cf. CIC 825).

Os escândalos dos sacerdotes envolvidos na pedofilia são de uma gravidade incomensurável. Não podemos citar quão grandes são os traumas psicológicos sofridos pelas pessoas que são abusadas sexualmente.

Contudo, por que, ao invés de falarem só disso, não falam que a Igreja foi a instituição quem mais ajudou pessoas no mundo inteiro durante 20 séculos de existência? Por que não falam das ajudas prestadas pela Igreja a humanidade no que diz respeito à educação, ao progresso moral, a amizade, aos valores amorosos? Disso não falam… Mostram os pecados dos membros da Igreja – conseqüência da concupiscência da carne – como se a Igreja Católica fosse culpada por todos os outros erros da humanidade. Mostram a ganância de alguns sacerdotes como se fosse generalizada para todos os outros fiéis da Igreja. Aí são massacrados pela mídia e pelos desinformados leigos, sacerdotes, religiosas, cristãos e todas as pessoas que crêem esses erros individuais não interferem na santidade da Igreja.

Os sacerdotes são humanos como nós. Possuem sim uma dignidade muito grande perante Deus. Mas, assim como qualquer ser humano, sofrem tentações, enfrentam dificuldades… A missão dos fiéis, das pessoas não é julgar a Igreja pelos crimes que seus filhos cometeram. Isso é fácil de se fazer. Precisamos mesmo é de orações. E essas são definitivamente bem-vindas.

Oremos pelos sacerdotes do mundo inteiro nesse ano sacerdotal que se inicia. Deus conduza bem os padres que ainda não vivem uma fé pura e íntegra no amor d’Ele e mantenha firmes aqueles que têm como meta a santidade.

Graça e paz.

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