sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O exemplo sacerdotal de São Pio X

Hoje é comemorado o dia do Santo Papa Pio X. Há exatamente 95 anos atrás se consumava o pontificado desse grande servo de Deus, combatente fiel das heresias do mundo moderno e defensor admirável da tradicional doutrina católica. Nunca hesitou em explicar a verdadeira e real lei da Igreja, fazendo isso com todo empenho e dedicação. Por meio da encíclica Pascendi Dominici Gregis, tratou de explicar os erros das doutrinas modernistas, não deixando nunca de cumprir aquele mandato que São Paulo confiou aos seus sucessores: “prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir” (2 Tm 4,2); “Condenai [as obras das trevas] abertamente” (Ef 5,11).

De fato, como pastor do Povo de Deus, o sacerdote – e mais especificamente o bispo – tem o dever de conduzir as ovelhas cada vez mais ao exemplo máximo de zelo pastoral: Jesus Cristo. De fato, Ele diz: “Eu sou o bom pastor” (Jo 10,14). Adverte, do mesmo modo, que o pastor verdadeiro, aquele que não é salteador e nem ladrão, dá “a sua vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,11). Ora, e o que é dar a vida pelas ovelhas? Não é Jesus o modelo mais especial desse ato de coragem e fé? Não foi Ele crucificado pela causa de cada um de nós? O pastor da Igreja de Deus é chamado a, assim como Jesus Cristo, dar a vida pelas suas ovelhas. E isso é, acima de tudo, encaminhá-las à salvação, à porta do caminho do céu (cf. Jo 10,7).

São Pio X, nesse sentido, é exemplo admirável do zelo pelas ovelhas. Com efeito, a principal intenção dum pastor, quando esse condena severamente as doutrinas que afastam os fiéis da verdade do Reino de Deus e da realidade salvífica que nos propõe o Espírito Santo, é de conduzir os católicos a Jesus, “caminho, verdade e vida” (Jo 14,6). Se um sacerdote foge do seu ofício de zelar pelas ovelhas do Pastor máximo, que é Jesus Cristo, então está incorrendo no pecado de omissão, pois está deixando que as ovelhas se dispersem. Não são esses os maus pastores dos quais Jeremias brada: “Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho miúdo de minha pastagem!” (Jr 23,1)?

Ora o pastor vive para Deus e para o povo. Faz, antes de tudo, a vontade de Deus. Vivendo consagradamente para ele, dedicando até mesmo uma vida de castidade por causa do Reino, realça em seu corpo e em sua alma as marcas do Cristo crucificado – como um sinal do sofrimento que sofre nesse mundo – e ressuscitado – como sinal prefigurativo da glória celeste que há de vir. Vivendo para o povo, não se fecha em sua obediência a Deus. Pelo contrário, abre-se ao amor de Deus, transmitindo-o para aqueles que mais necessitam de ser tocados pela Misericórdia Encarnada. Aquele que tem o encargo de conduzir as ovelhas ao Reino e não o fazem devidamente pecam: “Dispersastes o meu rebanho e o afugentastes, sem dele vos ocupar. Eu, porém, vou ocupar-me à vossa custa da malícia de tal procedimento – oráculo do Senhor” (Jr 23,2).

E São Pio X, sendo um dos maiores papas do século XX – senão o maior –, vivenciou, em um ambiente laicista e extremamente racionalista, a dificuldade em promover a fé católica. Analisando-a, não desistiu de defendê-la. Pelo contrário, trabalhou por ela. Olhando para Deus – como deve fazer o sacerdote – e servindo a Ele, amou de tal modo as Suas ovelhas que as guiou incansavelmente para a Igreja, “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15). Não bastasse, levou-as ainda de modo mais profundo a um encontro pessoal com o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se dá a todos nós na Eucaristia. Não é a toa que ficou conhecido como o “Papa da Eucaristia”. Facilitou, não contristando obviamente a ortodoxia da Igreja, o acesso dos fiéis a esse bem magnífico e promoveu um culto e amor profundos por esse Santíssimo Sacramento.

Nesse Ano Sacerdotal, os padres são chamados a olhar para a figura de São João Maria Vianney que, com muito amor, construiu na pequena paróquia de Ars, na França, um lugar de muita oração e dedicação ao ofício eclesiástico. São chamados também a olhar para São João Eudes, propagador do culto ao Sagrado Coração de Jesus. E, de um modo bastante especial, São Pio X é mais um modelo sacerdotal para esse momento da história. Como missionário da Eucaristia e defensor da ortodoxia, Pio X chama os sacerdotes do mundo inteiro a viverem esse apostolado de fé. Adorando profundamente o Corpo e Sangue de Cristo, que são presença real do amor de Deus, poderão viver com exatidão as riquezas evangélicas: pobreza, castidade e obediência.

Além disso, propagado o culto à Eucaristia, é possível também pregar a Palavra de Deus, aquela que encaminha os fiéis a Jesus Cristo, o pastor das ovelhas. Nesse sentido, o Papa São Pio X é o modelo mais perfeito dos nossos tempos. O Ofício Sacerdotal, enquanto responsável pela condução das ovelhas de Jesus ao Seu Reino, é o mais maravilhoso dos trabalhos porque não dá a salvação somente a si mesmo, mas a uma multidão de pessoas. Que os sacerdotes possam ter os olhos fixos em Jesus, modelo perfeitíssimo de zelo pastoral e amor eucarístico; que olhem para a honra da dignidade sacerdotal de São Pio X e possam buscar nela forças para combater as heresias e as adversidades do mundo moderno tão necessitado da Palavra de Deus.

Que a Virgem Santíssima interceda a Deus por todos os sacerdotes nesse Ano Sacerdotal.

São Pio X,
rogai por nós!

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